A expansão da inteligência artificial não depende apenas de algoritmos e aplicativos visíveis para o público. Por trás de cada serviço digital existe uma estrutura formada por servidores, data centers, sistemas de refrigeração e fornecimento contínuo de eletricidade. É sobre esse lado físico da tecnologia que pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) concentram o projeto “IA Verde”, iniciativa voltada a investigar formas de desenvolver modelos de inteligência artificial com menor custo computacional.
Divulgado em 5 de outubro de 2026 pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (SECTI-RJ), o estudo busca relacionar inovação tecnológica e sustentabilidade. A proposta é discutir como o avanço da IA pode ser acompanhado por práticas mais eficientes, sem tratar a expansão da infraestrutura computacional como única resposta para atender à demanda por processamento.
Por que a inteligência artificial exige tanta infraestrutura
Modelos de inteligência artificial precisam de capacidade computacional para serem desenvolvidos e utilizados. Isso faz com que data centers mantenham equipamentos em operação para processar informações e sustentar serviços digitais. Quanto maior a necessidade de processamento, maior é a importância de observar os recursos envolvidos nessa operação, especialmente o consumo de energia e a estrutura necessária para manter os equipamentos em funcionamento.
O uso de água também aparece nesse debate. De acordo com as informações divulgadas pela SECTI-RJ, parte da demanda ambiental está relacionada aos sistemas de resfriamento dos equipamentos. A refrigeração é necessária porque a operação dos servidores produz calor, e o controle da temperatura integra a estrutura responsável pelo funcionamento dos data centers. Assim, o impacto da IA não se limita ao momento em que uma pessoa acessa uma ferramenta ou recebe uma resposta.
Esse contexto ajuda a explicar o foco do projeto liderado pela UFF. Em vez de analisar a inteligência artificial somente por suas aplicações, a pesquisa observa o custo computacional dos modelos e a relação entre eficiência tecnológica e uso de recursos. A redução desse custo pode contribuir para diminuir a pressão sobre a infraestrutura necessária ao processamento, embora o estudo esteja voltado justamente a investigar caminhos e possibilidades para esse objetivo.
O que o projeto “IA Verde” pretende estudar
A iniciativa procura desenvolver modelos de inteligência artificial que demandem menos capacidade computacional. O objetivo não é interromper o avanço da tecnologia, mas discutir formas de fazê-lo com maior atenção aos efeitos ambientais associados à operação contínua de servidores e sistemas de resfriamento.
Essa abordagem coloca a eficiência no centro da discussão. Um modelo de menor custo computacional pode exigir menos recursos para realizar seu processamento, aspecto que interessa tanto à pesquisa acadêmica quanto ao planejamento da infraestrutura digital. O projeto, porém, não apresenta na fonte consultada números de redução, resultados finais ou uma solução já concluída. As informações disponíveis descrevem uma investigação em andamento sobre maneiras mais sustentáveis de desenvolver a IA.
O estudo também amplia o debate sobre inclusão. A evolução da inteligência artificial costuma ser associada ao aumento da capacidade computacional, mas a proposta da UFF considera que a inovação pode ser acompanhada por escolhas técnicas voltadas à eficiência. Essa perspectiva abre espaço para discutir o desenvolvimento de modelos sem depender exclusivamente da expansão de servidores, data centers e sistemas de refrigeração.
Pesquisa reúne apoio nacional e colaboração internacional
O projeto conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Instituto Serapilheira e de cientistas internacionais. A participação dessas instituições e pesquisadores reforça o caráter colaborativo da iniciativa e situa a UFF em uma discussão que ultrapassa o ambiente empresarial: como conciliar o crescimento dos serviços de inteligência artificial com a necessidade de reduzir seus impactos ambientais.
Para quem utiliza ferramentas digitais, o tema ajuda a tornar mais visível uma cadeia normalmente escondida. A interação com uma plataforma de IA acontece na tela, mas depende de equipamentos, eletricidade e mecanismos de resfriamento instalados em estruturas especializadas. Ao investigar modelos menos exigentes em processamento, a pesquisa da UFF trata de uma etapa fundamental para pensar o futuro da internet e dos serviços conectados.
O projeto “IA Verde” representa, portanto, uma frente de pesquisa brasileira dedicada a aproximar inteligência artificial e responsabilidade ambiental. Seus resultados ainda deverão indicar quais estratégias podem tornar os modelos mais eficientes. Por enquanto, a iniciativa coloca uma pergunta no centro do debate tecnológico: como ampliar o acesso e o uso da IA sem ignorar os recursos necessários para mantê-la funcionando?
