Em 2025, os prêmios de seguro garantia somaram R$ 6,29 bilhões no Brasil, alta de 23,8% em relação ao ano anterior, segundo a Susep. Para Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, o crescimento mostra que os seguros empresariais ganham espaço como ferramenta de gestão de risco. Muitas empresas, no entanto, ainda contratam apólices por obrigação ou hábito, sem avaliar se a cobertura corresponde aos riscos reais do negócio e às necessidades de cada fase da empresa.
Seguro como parte da gestão de riscos
O seguro transfere a uma seguradora parte das perdas financeiras que a empresa sofreria em determinados eventos, mediante o pagamento de um prêmio. Para cumprir esse papel, precisa partir de um mapeamento dos riscos do negócio. Sem essa análise, a empresa pode pagar por coberturas pouco úteis e ficar desprotegida justamente nos pontos mais vulneráveis.
A contratação deve responder a perguntas simples: quais eventos poderiam comprometer seriamente a operação, qual seria o impacto financeiro e quanto a empresa conseguiria absorver sozinha. Riscos frequentes e de baixo impacto podem ser gerenciados internamente, enquanto eventos raros e de alto impacto costumam justificar a transferência para uma seguradora.
Riscos patrimoniais e lucros cessantes
Os seguros patrimoniais protegem instalações, máquinas, estoques e equipamentos contra incêndios, alagamentos, roubos e outros danos. Muitas empresas contratam essa cobertura, mas esquecem o impacto indireto dos sinistros. Uma fábrica parada por semanas deixa de faturar, mas continua pagando salários, aluguel e compromissos financeiros.
Na leitura de Marcio Alaor de Araujo, o seguro de lucros cessantes cobre justamente essa perda de receita durante a paralisação e costuma ser subestimado. Em operações que dependem de poucos equipamentos ou de uma única unidade, a interrupção pode causar mais prejuízo do que o próprio dano físico. Avaliar quanto tempo a empresa levaria para retomar a atividade ajuda a dimensionar a cobertura.

Responsabilidade de administradores
O seguro de responsabilidade civil de administradores, conhecido pela sigla em inglês D&O, protege diretores e conselheiros contra custos de defesa e eventuais indenizações decorrentes de atos de gestão. Ações movidas por acionistas, credores, órgãos reguladores ou trabalhadores podem atingir o patrimônio pessoal dos executivos, mesmo quando agiram de boa-fé.
A cobertura se tornou relevante para atrair profissionais qualificados para cargos de direção e para conselhos. Executivos experientes costumam exigir a proteção antes de aceitar posições de responsabilidade. Empresas que estruturam a governança, formam conselhos e contratam diretores do mercado precisam considerar esse seguro como parte do pacote de atração de talentos.
Seguro garantia e contratos
O seguro garantia assegura o cumprimento de obrigações contratuais, como a execução de uma obra ou o fornecimento de produtos. É exigido com frequência em licitações públicas, concessões e grandes contratos privados, além de ser aceito em processos judiciais como alternativa ao depósito em dinheiro. O crescimento recente acompanha a expansão de projetos de infraestrutura.
Como sublinha Marcio Alaor de Araujo, o seguro garantia também tem efeito financeiro relevante. Ao substituir depósitos ou fianças bancárias, libera capital de giro e preserva limites de crédito com os bancos. Para empresas que participam de concorrências ou enfrentam disputas judiciais, a modalidade pode representar economia significativa em relação às alternativas tradicionais.
Revisar as apólices periodicamente
O perfil de risco de uma empresa muda com o tempo. Novos produtos, expansão para outras regiões, aquisições e mudanças em contratos alteram as exposições, e apólices contratadas anos antes podem não refletir mais a realidade. Valores segurados desatualizados, exclusões desconhecidas e franquias inadequadas aparecem justamente no momento do sinistro.
De acordo com Marcio Alaor de Araujo, revisar as apólices anualmente, com apoio de corretores especializados, garante que a proteção acompanhe a evolução do negócio. Tratar os seguros como parte da estratégia financeira, e não como despesa burocrática, permite equilibrar custo e proteção e reduzir o impacto de eventos que poderiam comprometer anos de resultados.
