O voluntariado na saúde envolve muito mais do que disposição para ajudar. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, entende que iniciativas voltadas a populações vulneráveis precisam considerar as necessidades concretas de cada comunidade, além de exigir organização, preparo e capacidade de escuta. Quando voluntários conhecem seus limites, trabalham de forma coordenada e compreendem o território onde atuam, a ajuda pode se tornar mais adequada e gerar resultados que vão além de uma ação pontual.
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Por que conhecer a realidade local faz diferença?
Uma iniciativa pode ter uma boa proposta e, ainda assim, não responder ao principal problema de uma comunidade. Antes de definir uma ação, é importante compreender quais são as dificuldades encontradas pela população, como ocorre o acesso aos serviços e quais grupos enfrentam maiores barreiras. Esse diagnóstico inicial ajuda a evitar que recursos sejam direcionados para necessidades que não representam a principal demanda daquele território.
O Doutor Yuri Silva Portela salienta que essa percepção exige capacidade de escuta. Conversar com moradores, profissionais e lideranças locais pode revelar necessidades que não aparecem imediatamente. Uma comunidade pode precisar não apenas de atendimento, mas também de orientação, encaminhamento ou acompanhamento posterior. Ouvir diferentes perspectivas permite identificar obstáculos que dificilmente seriam percebidos apenas por quem chega de fora para executar a ação.
O conhecimento do território também ajuda a evitar soluções genéricas. Quanto mais clara for a realidade encontrada, maior a possibilidade de direcionar tempo, profissionais e recursos para demandas que realmente fazem diferença. Com isso, a iniciativa pode ser planejada de maneira mais compatível com as condições locais e com aquilo que a população efetivamente precisa.
Como a comunicação influencia uma ação voluntária? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela
Saber ouvir é uma das competências mais importantes para quem atua diretamente com o público. Pessoas em situação de vulnerabilidade podem ter receio de procurar serviços, dificuldade para explicar suas necessidades ou experiências anteriores que afetaram sua confiança. Uma abordagem respeitosa pode facilitar a identificação desses problemas. Além de favorecer o diálogo, a escuta permite compreender situações que podem permanecer ocultas quando o atendimento se limita a perguntas objetivas.

A comunicação também precisa ser clara. Informações sobre prevenção, cuidados ou encaminhamentos devem ser apresentadas de maneira compreensível, sem excesso de termos técnicos. Isso é especialmente relevante quando a iniciativa atende pessoas idosas ou indivíduos com diferentes níveis de escolaridade. Explicar de forma acessível ajuda o participante a entender as orientações recebidas e saber quais medidas pode tomar depois da ação.
O Doutor Yuri Silva Portela assevera que a qualidade de uma ação depende também da maneira como as pessoas são acolhidas. O atendimento pode oferecer informação correta, mas, se ela não for compreendida ou se o participante não se sentir à vontade para relatar suas dificuldades, parte do objetivo pode ser perdida. Por isso, acolhimento, escuta e comunicação precisam fazer parte da própria estrutura da iniciativa, e não ser tratados como etapas secundárias.
Por que organização é uma competência essencial?
Boa vontade não substitui planejamento. Uma ação voluntária precisa definir responsabilidades, horários, fluxo de atendimento, materiais necessários e formas de encaminhar situações que ultrapassem a atuação dos voluntários. Sem essa estrutura, diferentes pessoas podem executar tarefas semelhantes, enquanto outras necessidades ficam sem atendimento. Um planejamento prévio também facilita a organização da equipe e reduz improvisos durante a realização da iniciativa.
Por fim, conhecer os próprios limites é outro ponto importante, frisa o Doutor Yuri Silva Portela. Voluntários não devem assumir responsabilidades para as quais não possuem formação ou autorização. Identificar quando uma situação exige um profissional especializado é uma forma de proteger tanto quem recebe a assistência quanto quem participa da iniciativa. Essa postura também contribui para que cada integrante exerça sua função com segurança e para que casos que exigem acompanhamento específico recebam o encaminhamento adequado.
