Valdoir Slapak comenta sobre as etapas de um turnaround em empresas com custos acima do faturamento 

Felix Arvendal
Felix Arvendal
6 Min de leitura
Valdoir Slapak

Segundo o executivo Valdoir Slapak, com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, com experiência em planejamento, operações e ambientes corporativos complexos, o turnaround de empresas cuja estrutura de custos ficou desalinhada ao faturamento começa pelo reconhecimento de que o problema raramente está em um único item de despesa. A causa costuma estar na soma de decisões tomadas em períodos de receita maior, que continuaram vigentes depois que o faturamento diminuiu ou se estabilizou. Corrigir essa distorção exige método e priorização, e não cortes lineares que tratam todas as despesas como se tivessem o mesmo valor para o negócio. 

Dimensionando o tamanho do desalinhamento

O primeiro passo é comparar a evolução dos custos e do faturamento ao longo de vários períodos, separando o que é fixo, o que é variável e o que foi incorporado à estrutura de forma permanente. Sem essa separação, qualquer meta de redução corre o risco de ser arbitrária e de não resolver a causa do problema.

Na percepção de Valdoir Slapak, a análise financeira de um turnaround deve responder a uma pergunta objetiva: qual seria a estrutura de custos compatível com o faturamento atual e com o que é realista projetar, porque esse número serve de parâmetro para medir o esforço necessário e para definir prazos de ajuste que a equipe consiga cumprir.

A comparação com períodos anteriores e com a trajetória do setor ajuda a identificar o que foi excesso e o que foi investimento legítimo que ainda não teve retorno, distinção importante para não cortar justamente o que dará base à recuperação.

Priorizando cortes sem comprometer a capacidade de recuperação

Cortes generalizados produzem economias rápidas, mas costumam atingir áreas essenciais ao futuro da empresa, como relacionamento com clientes, qualidade do produto e capacidade de entrega. Reduzir custo sem critério pode acelerar a perda de receita que se pretendia proteger, agravando o desalinhamento em vez de corrigi-lo.

Valdoir Slapak observa que a execução estratégica de um turnaround depende de classificar as despesas em três grupos: as que mantêm diretamente a geração de receita, as que apoiam a operação e as que não contribuem para a posição competitiva, porque a ordem dos cortes deve começar pelo último grupo.

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

Conversar com os responsáveis por cada área sobre o impacto operacional dos cortes propostos evita surpresas e revela alternativas que a análise financeira isolada não enxerga, como a reorganização de tarefas ou a substituição de contratos por soluções mais econômicas.

Para cada redução prevista, convém estimar o efeito sobre a receita e sobre a qualidade da entrega, evitando decisões que economizam no curto prazo e custam mais adiante. Uma lista de cortes com impacto estimado e responsável definido torna o plano verificável e facilita a conversa com as equipes.

Renegociando contratos e revisando a estrutura fixa

Parte relevante da estrutura fixa está em contratos de aluguel, serviços, tecnologia e fornecimento, firmados em condições que talvez já não façam sentido. Revisá-los costuma gerar economia sem afetar diretamente a operação, e por isso essa frente deve receber atenção logo nas primeiras etapas do plano.

Para Valdoir Slapak, a renegociação deve ser tratada como parte do planejamento financeiro do turnaround, com uma lista priorizada pelo valor envolvido e pela facilidade de revisão, porque esse roteiro permite capturar as economias mais relevantes no início e manter a equipe focada nas ações de maior efeito.

Além disso, fornecedores costumam estar mais abertos à revisão quando a empresa apresenta um plano claro de recuperação e demonstra capacidade de cumprir os novos termos. A transparência sobre a situação financeira, dentro de limites prudentes, ajuda a construir acordos que beneficiam as duas partes.

Do ponto de vista de Valdoir Slapak, a revisão da estrutura de pessoal e de espaço físico deve considerar a capacidade futura necessária, e não apenas a atual, para que a empresa não precise recompor a estrutura pouco tempo depois de tê-la reduzido.

Consolidando o novo patamar de custos

Reduzir custos é mais fácil do que mantê-los reduzidos. Sem regras claras, as despesas tendem a retornar ao patamar anterior à medida que a pressão diminui e novas demandas surgem nas áreas, o que anula parte do esforço feito durante o período de ajuste.

Valdoir Slapak ressalta que o controle financeiro de um turnaround precisa incluir limites de gasto por área, revisão mensal de desvios e responsáveis definidos, porque a disciplina mantida é o que transforma um ajuste pontual em uma mudança permanente na estrutura da empresa.

Indicadores simples, como a relação entre custos fixos e faturamento mensal, ajudam a sinalizar cedo qualquer movimento de retorno ao desalinhamento anterior. Quando o indicador se afasta da meta, a revisão das despesas acontece antes que o desvio se acumule.

Com a estrutura alinhada ao faturamento e mecanismos de controle em funcionamento, a empresa recupera previsibilidade e fortalece a execução estratégica, o que permite retomar investimentos de forma planejada e proteger a margem nos ciclos seguintes, sem depender de novas rodadas de corte.

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