WhatsApp reforça segurança e muda proteção das contas: veja o que está diferente

Felix Arvendal
Felix Arvendal
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Nova atualização amplia o uso de passkeys, fortalece a verificação em duas etapas e adiciona informações para ajudar usuários a identificar chamadas suspeitas.

O WhatsApp está reforçando as ferramentas de segurança das contas em uma atualização que chama atenção justamente por atingir uma das principais preocupações de quem usa o aplicativo diariamente: evitar invasões, golpes e tentativas de tomada de conta. A mudança foi anunciada no fim de agosto e inclui novidades na verificação em duas etapas, nas passkeys e nas informações exibidas antes de atender chamadas de números desconhecidos.

O movimento acontece em um momento no qual aplicativos de mensagens deixaram de ser usados apenas para conversas pessoais. Hoje, o WhatsApp também concentra contatos profissionais, grupos de estudo, compras, serviços e até comunicações relacionadas a empresas. Por isso, perder o acesso à conta pode gerar consequências que vão muito além de deixar de receber mensagens.

Entre as novidades, uma das que mais chama atenção é o avanço das passkeys, recurso que permite autenticar o acesso usando mecanismos já disponíveis no aparelho, como biometria, reconhecimento facial ou código de desbloqueio. Segundo o próprio WhatsApp, mais de 1 bilhão de pessoas já utilizam passkeys na plataforma.

O que mudou na segurança do WhatsApp?

A principal novidade está no fortalecimento da verificação em duas etapas. O recurso, que já existia no aplicativo, ganhou uma proteção adicional porque o antigo PIN de seis dígitos passou a ser substituído por uma senha mais completa, que pode combinar letras, números e caracteres especiais. A ideia é dificultar tentativas de adivinhação e reduzir a dependência de combinações muito simples.

Essa mudança é relevante porque a verificação em duas etapas funciona como uma camada adicional de proteção. O código recebido por SMS confirma o número de telefone, enquanto a segunda etapa ajuda a impedir que outra pessoa consiga assumir a conta simplesmente obtendo o código de registro. O próprio WhatsApp explica que o PIN da verificação em duas etapas é diferente do código de seis dígitos enviado por SMS ou ligação.

Outro destaque são as passkeys. Em vez de depender exclusivamente de códigos enviados por mensagem, o recurso permite utilizar métodos de autenticação associados ao próprio dispositivo. Isso pode tornar o processo mais simples para o usuário e, ao mesmo tempo, reduzir situações nas quais códigos de confirmação acabam compartilhados por engano.

O WhatsApp também informou que passou a permitir mais de uma passkey para quem utiliza Android e iPhone, o que pode ser útil para pessoas que alternam entre aparelhos. A configuração fica dentro da área de conta do aplicativo.

Por que as passkeys estão ganhando espaço?

As passkeys fazem parte de uma transformação maior na forma como as pessoas acessam serviços digitais. Durante anos, senhas e códigos enviados por SMS foram a principal barreira entre o usuário e sua conta. O problema é que senhas podem ser reutilizadas, descobertas ou compartilhadas, enquanto códigos de confirmação podem ser obtidos por meio de golpes de engenharia social.

Com as passkeys, a autenticação fica mais vinculada ao dispositivo e aos mecanismos de segurança que o usuário já utiliza para desbloqueá-lo. Na prática, isso pode significar menos senhas para memorizar e menos oportunidades para criminosos convencerem alguém a revelar um código.

A adoção em larga escala mostra por que esse assunto merece atenção. O WhatsApp afirma que mais de 1 bilhão de pessoas já configuraram uma passkey. Isso representa uma mudança importante no comportamento digital, especialmente porque aplicativos populares podem ajudar a transformar tecnologias de segurança antes consideradas complexas em recursos usados por milhões de pessoas.

Outro ponto importante é que segurança não depende apenas da tecnologia. O usuário continua sendo uma parte essencial da proteção. O próprio WhatsApp alerta que códigos de verificação nunca devem ser compartilhados com outras pessoas. Quando alguém recebe inesperadamente uma solicitação de código para registrar o número, isso pode indicar que outra pessoa está tentando iniciar o processo de registro usando aquele telefone.

Por isso, a expansão das passkeys não significa que golpes desaparecerão. Ela representa uma tentativa de diminuir os pontos vulneráveis do processo de autenticação. Quanto menos informações secretas precisarem ser digitadas ou compartilhadas, menor tende a ser a exposição em determinados tipos de fraude.

Como as novas proteções podem mudar o uso do aplicativo?

Outra mudança anunciada pelo WhatsApp envolve chamadas recebidas de números que não estão salvos na agenda. Em aparelhos Android, o aplicativo passou a oferecer mais contexto sobre determinados chamadores desconhecidos, incluindo informações como o país associado ao número e possíveis grupos em comum. A proposta é dar ao usuário mais elementos antes que ele decida atender.

Esse recurso pode parecer simples, mas responde a um problema bastante comum: chamadas inesperadas podem ser utilizadas para criar urgência e induzir uma pessoa a continuar uma conversa sem verificar quem está do outro lado. Mostrar informações adicionais antes do atendimento pode ajudar o usuário a tomar uma decisão mais consciente.

A mudança também acompanha uma tendência mais ampla das plataformas digitais de colocar mecanismos de segurança diretamente na experiência cotidiana. Em vez de depender apenas de páginas de configuração escondidas, empresas como o WhatsApp estão tentando apresentar sinais de alerta no momento em que uma situação potencialmente suspeita acontece.

Para quem usa o aplicativo todos os dias, a atualização também serve como lembrete para revisar as próprias configurações. Ativar a verificação em duas etapas, cadastrar uma passkey quando disponível e evitar compartilhar códigos de confirmação são medidas que podem aumentar a proteção da conta. O WhatsApp mantém orientações específicas para casos de tentativa de tomada de conta e recuperação de acesso.

A tendência é que a segurança continue se tornando uma parte cada vez mais visível dos aplicativos de comunicação. Com o crescimento de golpes digitais, contas comprometidas e tentativas de engenharia social, recursos capazes de verificar identidade e fornecer contexto antes de uma interação devem ganhar espaço em outras plataformas.

Nos próximos meses, a disputa entre aplicativos de mensagens não deverá envolver apenas recursos de inteligência artificial, chamadas ou ferramentas de produtividade. A capacidade de proteger identidade, conversas e contas também pode se tornar um diferencial importante. Para o usuário, isso significa que atualizar o aplicativo e conhecer as novas ferramentas de segurança pode deixar de ser uma tarefa opcional e passar a fazer parte da rotina digital.

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