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sábado, junho 12, 2021

Pesquisa: Conservadores costumam acreditar mais em fake news

Um novo estudo, publicado no periódico científico Science Advances, procurou investigar qual grupo, os liberais ou os conservadores, apresentam maiores chances de acreditar em...

Tinder: um fenômeno mesmo durante o período de isolamento social

Não é novidade para ninguém que o aplicativo Tinder se tornou nos últimos anos a principal ferramenta para encontros amorosos. O que se desconhecia até agora é a impressionante capacidade da plataforma para fazer dinheiro — com ou sem pandemia. Em 2020, as ações do Match Group, dono do Tinder e outras 45 marcas dedicadas a relacionamentos virtuais, dispararam cerca de 200% na Nasdaq, a bolsa de tecnologia dos EUA. Com isso, a empresa passou a ser uma das queridinhas dos investidores americanos, seguindo o caminho de marcas consagradas como Amazon, Apple e Facebook. Em seu relatório do terceiro trimestre, a companhia informou que o número de usuários pagantes em seus aplicativos de paquera saltou 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 10,8 milhões, e que a receita total cresceu 18%, para 640 milhões de dólares. Nunca houve tantos swipes, como é chamado o ato de arrastar a foto de um eventual pretendente na tela do celular (para a direita quando agradou e para a esquerda quando não), e matches, ocasiões em que o potencial casal é formado.

O sucesso é resultado de uma união perfeita entre oportunidade e criatividade. A pandemia do novo coronavírus atacou em cheio um dos aspectos que compõem a essência humana: a necessidade de socializar. A tecnologia das reuniões virtuais de certa forma amenizou a saudade de amigos e familiares, mas poucas coisas são tão insubstituíveis quanto um abraço em carne e osso. O baque emocional foi ainda mais nocivo para um grupo específico, o de solteiros e solteiras, e as empresas que os têm como público-alvo não demoraram a pegar carona no clima de “sofrência”, escancarado pela febre inicial das lives musicais. Especialistas destacam a demanda reprimida — eis aí a oportunidade — que abriu as portas para as pessoas que antes priorizavam o flerte em casas noturnas ou barzinhos. “Muita gente que não se interessava pelos aplicativos ganhou uma motivação adicional”, diz Ailton Amélio da Silva, ex-professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Houve ainda um novo fenômeno pandêmico: a mera busca por companhia, ainda que o papo corriqueiro não mirasse diretamente o encontro marcado. “Só o ato de falar com alguém de forma mais casual já alivia parcialmente a solidão, mesmo que a pessoa não busque um relacionamento mais profundo”, diz Daniel Martins de Barros, médico do Instituto de Psiquiatria da USP. Os dados confirmam a tendência. Segundo o Tinder, as conversas diárias aumentaram em média 20% e a duração dos papos se tornou 25% maior.

Criado em 2012 em um câmpus de faculdade, o Tinder é o aplicativo não relacionado a games mais popular do mundo, disponível em 190 países e quarenta idiomas. Durante a pandemia, em um ano marcado por tensões raciais e políticas, a plataforma virou um local de debate sobre variados temas e reuniões de diversas tribos. As citações ao termo “voto” dobraram, enquanto o adjetivo “feminista” e o emoji símbolo do Black Lives Matter se espalharam por perfis mundo afora.

Arte Tinder

Jenny McCabe, chefe de comunicação do app, disse a VEJA que metade dos membros tem entre 18 e 25 anos. “A geração Z não delineia diferenças entre vida real e vida digital. É apenas vida”, afirma a executiva. A empresa também fez sua parte e caprichou na sedução — daí a criatividade. Uma das primeiras medidas foi habilitar os chats de vídeo. Faz todo o sentido. Na quarentena, afinal, o tão aguardado primeiro encontro precisou ser virtual. Outra novidade foi a liberação durante um mês do “passaporte”, recurso pago que permite o contato entre pessoas de qualquer lugar do mundo — em sua versão básica e gratuita, as possibilidades se limitam a um raio de 160 quilômetros. As cidades estrangeiras mais “visitadas” pelos brasileiros foram Nova York, Los Angeles e Londres.

O Tinder trouxe ainda outras inovações, como uma minissérie apocalíptica, Swipe Night, sua primeira produção de ficção, na qual o usuário se torna um personagem da trama, com o poder de definir seus rumos num arrastar de tela. As escolhas do assinante (que incluem salvar um cachorro ou um humano de um asteroide) foram usadas como filtro para que o aplicativo indicasse pessoas de perfis semelhantes. “Estamos comprometidos em impulsionar a inovação no Tinder, criando mais maneiras de reunir nossos membros, entretê-los e ajudá-los a conhecer novas pessoas”, afirmou Jim Lanzone, CEO do aplicativo.

O auge da paquera no mundo se deu em 5 de abril, semanas depois de a pandemia ter sido oficialmente declarada, quando foram enviados 52% a mais de mensagens em relação à média pré-quarentena. No Brasil, o dia 29 de março foi o ponto alto das conversas, com uma média de mensagens 61% superior. Em breve, o aplicativo promoverá outro evento, o Dating Sunday, em 3 de janeiro — segundo a empresa, o primeiro domingo de cada ano costuma ser o dia de maior movimento, uma espécie de Super Bowl dos encontros. A Match Group também fechou recentemente um contrato de parceria com a Rainn, a maior organização antiviolência sexual dos EUA, para revisar e aprimorar os processos de denúncia de má conduta. Com a chegada da vacina e tantas novidades, o flerte tende a ser mais proveitoso e seguro em 2021. O amor, como se vê, está sempre na moda.

Publicado em VEJA de 23 de dezembro de 2020, edição nº 2718

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