Inteligência artificial ultrapassa nuvem e cibersegurança como prioridade número um da tecnologia no Brasil

Felix Arvendal
Felix Arvendal
5 Min de leitura

Levantamento da ABES com a IDC mostra que 95% das grandes empresas brasileiras já usam ou planejam adotar IA nos próximos meses

O Brasil entrou de forma definitiva na era da inteligência artificial corporativa. É o que aponta um levantamento inédito conduzido pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a consultoria IDC, apresentado em agosto de 2026. Segundo o estudo, 95% das empresas brasileiras com mais de cem funcionários já utilizam inteligência artificial em suas operações ou planejam adotá-la nos próximos doze meses.

Um salto que muda a agenda estratégica das empresas

O dado mais relevante da pesquisa “Estratégias Digitais de Alta Performance” confirma uma virada histórica: pela primeira vez, a inteligência artificial ultrapassou temas como cibersegurança e computação em nuvem como principal prioridade na agenda estratégica das companhias nacionais. Até pouco tempo atrás, a IA era tratada como projeto piloto isolado dentro dos departamentos de tecnologia; agora, passou a ser encarada como parte estrutural das operações digitais.

Esse movimento reflete uma mudança de postura entre os líderes de TI brasileiros, que deixaram de testar a tecnologia em pequena escala para integrá-la de forma permanente aos processos de negócio. Segundo a pesquisa, 86% dos executivos ouvidos afirmaram que pretendem ampliar os investimentos em tecnologia da informação em 2026, em comparação ao ano anterior.

Quanto o país deve gastar com inteligência artificial

As projeções da IDC citadas no estudo indicam que os gastos brasileiros com inteligência artificial devem superar 3,4 bilhões de dólares ainda em 2026, com crescimento anual superior a 30%. O número reforça a percepção de que a tecnologia deixou de ser um diferencial competitivo pontual para se tornar parte da infraestrutura crítica das empresas do país.

Especialistas ouvidos por veículos do setor de tecnologia destacam que essa fase marca uma transição relevante: o foco está deslocando da simples geração de conteúdo por IA para a execução de tarefas operacionais mais complexas, o que exige investimento em governança técnica e em protocolos de integração padronizados entre diferentes sistemas.

O que muda no dia a dia das empresas brasileiras

Na prática, isso significa que ferramentas de inteligência artificial passam a atuar diretamente em processos como atendimento ao cliente, análise de dados financeiros e automação de tarefas administrativas, em vez de ficarem restritas a experimentos de marketing ou comunicação. O redesenho de fluxos de trabalho inteiros, e não apenas a distribuição de ferramentas individuais aos funcionários, é apontado como o próximo passo natural dessa adoção em larga escala.

Durante o SECOP 2026, evento voltado à modernização de serviços públicos, executivos do setor de tecnologia reforçaram que o Brasil reúne condições técnicas para liderar a corrida global de inteligência artificial, mas corre o risco de perder essa oportunidade caso não amplie a infraestrutura de dados e a matriz energética necessária para sustentar data centers de nova geração.

O crescimento da IA no ambiente corporativo brasileiro acontece em meio a mudanças regulatórias internacionais que também afetam empresas nacionais. Desde o início de agosto, novas obrigações de transparência previstas no AI Act da União Europeia entraram em vigor, exigindo que sistemas informem claramente quando um usuário está interagindo com inteligência artificial ou quando um conteúdo foi gerado de forma artificial.

Mesmo companhias brasileiras que oferecem produtos ou serviços a usuários no mercado europeu podem ser impactadas por essas regras, o que reforça a necessidade de que a adoção acelerada de IA no país venha acompanhada de políticas internas de governança de dados e de segurança da informação.

O que esperar para os próximos meses

Com o avanço simultâneo de investimento e regulação, a tendência apontada por analistas do setor é que 2026 se consolide como o ano em que a inteligência artificial deixa de ser vista como ferramenta auxiliar e passa a integrar decisões estratégicas em áreas sensíveis, da concessão de crédito bancário à otimização de processos industriais. Para as empresas brasileiras, o desafio passa a ser menos sobre adotar a tecnologia e mais sobre fazer essa adoção de forma segura e sustentável.

Fontes:

https://itshow.com.br/inteligencia-artificial-lidera-agenda-ti-empresas/https://convergenciadigital.com.br/governo/secop-2026-brasil-precisa-de-mais-ambicao-para-liderar-inteligencia-artificial/https://www.reviiv.com.br/tendencias-tecnologia-ia-agosto-2026/

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