Cibersegurança nas empresas brasileiras avança, mas phishing continua sendo a porta de entrada dos golpes

Felix Arvendal
Felix Arvendal
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O Brasil se consolidou como o país da América Latina que mais detecta tentativas de ataque cibernético, mas esse dado positivo esconde um problema que preocupa especialistas do setor.

Um novo levantamento aponta que, mesmo com maturidade acima da média regional, boa parte das empresas brasileiras ainda não sabe ao certo o tamanho real das ameaças que enfrenta.

Brasil detecta mais, mas ainda tem pontos cegos

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas brasileiras identificaram pelo menos uma tentativa de ataque, contra 52,7% na média da América Latina. O número reflete tanto um ambiente de ameaças mais intenso no país quanto uma capacidade maior de monitoramento por parte das companhias locais. We Live Security

O levantamento ouviu 1.563 profissionais de tecnologia e cibersegurança, cobrindo cerca de 962 organizações em dez países da América Latina. Apesar da liderança em detecção, o estudo revela uma fragilidade importante: entre as empresas que não registraram incidentes, 43,3% desconfiam que algo pode ter passado despercebido por falta de ferramentas adequadas de monitoramento, número bem acima dos 25,1% observados no restante da região. Ou seja, uma parte considerável das companhias brasileiras sabe que está operando com um ponto cego ativo. We Live SecurityWe Live Security

Engenharia social continua sendo a isca preferida dos criminosos

Por trás da maioria dos ataques bem-sucedidos não está uma falha técnica sofisticada, mas sim a manipulação do fator humano. Segundo um relatório de segurança recente, 73% das empresas da América Latina afirmam ter sido alvo de campanhas de phishing durante 2025, com o setor bancário registrando praticamente 100% de incidência de tentativas. Mundoenlinea

Os criminosos deixaram de lado os e-mails com erros grosseiros de português e passaram a investir em personalização. As campanhas atuais usam informações específicas da empresa-alvo, imitam domínios legítimos e já se espalham para novas frentes, como códigos QR inseridos em mensagens de e-mail, que conseguem escapar de boa parte dos filtros de segurança tradicionais. Ebizlatam

Outra tática que ganhou força é o chamado ClickFix, que simula falhas no navegador e induz a vítima a executar comandos por conta própria, acreditando estar resolvendo um problema técnico. Levantamentos anteriores da ESET já indicavam o Brasil entre os cinco países latino-americanos com maior atividade de malware, com destaque para trojans bancários voltados ao roubo de dados financeiros, geralmente combinados com phishing e engenharia social em uma mesma campanha.

O que muda na prática para empresas e consumidores

Para o setor corporativo, o recado é direto: investir em tecnologia sem investir em treinamento de equipe deixa uma brecha aberta. Boa parte dos ataques só funciona porque explora a pressa e a confiança de quem recebe a mensagem, não a fragilidade de um sistema.

Já para o consumidor, o alerta recai sobre hábitos simples do dia a dia: desconfiar de mensagens urgentes pedindo clique imediato, evitar escanear códigos QR de origem desconhecida e nunca fornecer dados bancários a partir de links recebidos por e-mail ou SMS, mesmo quando a comunicação parece vir de uma instituição conhecida.

O cenário reforça uma tendência que vem se repetindo ano após ano no Brasil: o problema raramente está na tecnologia em si, mas na velocidade com que o usuário reage a um estímulo de urgência. Empresas que adotam simulações periódicas de phishing e capacitação contínua das equipes têm reduzido de forma consistente a taxa de cliques em mensagens maliciosas, segundo especialistas do setor.

Com o avanço da inteligência artificial também nas mãos dos criminosos, a tendência é que os ataques fiquem ainda mais convincentes nos próximos meses, tornando a combinação de tecnologia de defesa e educação digital cada vez mais necessária tanto para corporações quanto para o usuário comum.

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