Tarcísio de Freitas surge como uma figura central no cenário político brasileiro após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Com o ex-presidente réu e fora das urnas até 2030, o atual governador de São Paulo é visto como um possível herdeiro do bolsonarismo. No entanto seu caminho rumo a 2026 está repleto de incertezas e comparações inevitáveis com João Doria. A ascensão de Tarcísio de Freitas depende de sua habilidade em manter a base fiel de Bolsonaro enquanto constrói uma identidade própria. O risco de repetir o fracasso de Doria que apostou em uma guinada ao centro e perdeu apoio é real. Neste artigo exploraremos os desafios e as perspectivas de Tarcísio de Freitas no tabuleiro político.
O bolsonarismo como movimento ainda exerce forte influência no Brasil especialmente entre eleitores conservadores. Tarcísio de Freitas foi alçado ao governo de São Paulo em 2022 com o respaldo direto de Bolsonaro o que solidificou sua imagem como aliado leal. Contudo a inelegibilidade do ex-presidente força uma reconfiguração desse apoio. Tarcísio de Freitas precisa provar que pode liderar sem a sombra de Bolsonaro pairando sobre ele. A comparação com Doria surge porque ambos foram eleitos sob a onda bolsonarista mas o destino de Doria mostra como é fácil perder esse público. A lealdade da base será testada nos próximos anos.
A gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo é um termômetro para suas ambições nacionais. Investimentos em infraestrutura e segurança pública têm sido suas bandeiras principais alinhando-se ao discurso pragmático que atraiu eleitores em 2022. Diferentemente de Doria que buscou se afastar do bolsonarismo para agradar outros setores Tarcísio de Freitas mantém uma postura mais alinhada à direita. Esse posicionamento pode ser uma vantagem mas também um limitador caso ele precise ampliar sua base em 2026. O equilíbrio entre fidelidade e renovação será crucial para seu sucesso.
Outro ponto que pesa sobre Tarcísio de Freitas é sua relação com o Congresso e os partidos tradicionais. Bolsonaro governou com uma postura antissistema mas Tarcísio de Freitas já demonstra maior abertura ao diálogo político. Essa estratégia pode facilitar alianças em uma eventual candidatura presidencial. Por outro lado a base bolsonarista mais radical tende a rejeitar qualquer sinal de moderação. Tarcísio de Freitas enfrenta o dilema de agradar aos fiéis de Bolsonaro sem alienar possíveis aliados fora desse círculo. O risco de ser visto como traidor ou oportunista ronda seu futuro.
A inelegibilidade de Bolsonaro coloca Tarcísio de Freitas em uma posição única mas também vulnerável. Sem o ex-presidente como concorrente direto ele tem a chance de se consolidar como principal nome da direita. Porém outros líderes como Michelle Bolsonaro ou governadores regionais podem disputar esse espaço. Tarcísio de Freitas precisará de carisma e resultados concretos para se destacar nesse cenário fragmentado. Sua popularidade em São Paulo será um trunfo mas o desgaste natural da gestão pode minar suas chances. O jogo está aberto e exige cautela.
O histórico de João Doria serve como alerta para Tarcísio de Freitas. Eleito em 2018 com apoio de Bolsonaro Doria tentou se reinventar como moderado e acabou rejeitado por todos os lados. Tarcísio de Freitas parece consciente desse erro mas sua trajetória ainda é incerta. Manter a essência do bolsonarismo sem se prender exclusivamente a ela é o desafio que definirá seu destino. A direita brasileira busca um nome que una força e novidade e Tarcísio de Freitas quer ser essa resposta. Os próximos anos dirão se ele conseguirá escapar da armadilha que derrubou Doria.
A opinião pública também terá peso decisivo na jornada de Tarcísio de Freitas rumo a 2026. Pesquisas de aprovação e a percepção sobre sua gestão em São Paulo moldarão sua imagem nacional. Diferentemente de Bolsonaro que apostava na polarização Tarcísio de Freitas pode optar por uma abordagem mais técnica e menos conflituosa. Essa escolha agradaria eleitores cansados de embates ideológicos mas poderia desagradar os bolsonaristas mais fervorosos. Tarcísio de Freitas caminha sobre uma corda bamba onde cada passo exige precisão.
Por fim Tarcísio de Freitas tem diante de si uma oportunidade histórica mas também um risco gigantesco. O bolsonarismo sem Bolsonaro é um terreno novo e ele pode ser tanto seu salvador quanto sua vítima. A eleição de 2026 testará sua capacidade de liderar uma direita em transformação. Tarcísio de Freitas precisa construir uma narrativa que o diferencie de Doria e o aproxime dos anseios populares. Se conseguir será o grande nome do pós-bolsonarismo. Caso contrário seu futuro político pode naufragar antes mesmo de decolar.
Autor: Abigail Walker
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital