Conforme indica Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a conversa sobre saúde óssea na terceira idade raramente vai além do cálcio e da vitamina D. Essa simplificação, embora compreensível diante da pressão do tempo clínico, deixa de fora micronutrientes com papel documentado na manutenção da densidade e da qualidade óssea, cujas deficiências passam despercebidas e cujas contribuições terapêuticas seguem subutilizadas. Nesse sentido, entender o que vitamina K2, magnésio e silício fazem pelo esqueleto envelhecido é ampliar o horizonte de uma medicina que ainda trata o osso como se ele fosse feito apenas de cálcio.
Neste artigo, você vai entender por que a prescrição geriátrica para saúde óssea precisa ser mais abrangente do que habitualmente é. Confira!
O cálcio que não chega ao osso: o papel esquecido da vitamina K2
A vitamina K2 exerce uma função que poucos profissionais de saúde explicam ao paciente idoso: ela ativa proteínas responsáveis por direcionar o cálcio absorvido para o tecido ósseo e por impedir seu depósito nas paredes dos vasos sanguíneos. Sem níveis adequados de K2, o cálcio ingerido ou suplementado pode se acumular nas artérias em vez de fortalecer os ossos, contribuindo simultaneamente para a osteoporose e para a calcificação vascular, dois processos que aumentam o risco de fraturas e de eventos cardiovasculares.
Conforme detalha Yuri Silva Portela, a deficiência de vitamina K2 é particularmente prevalente em idosos que fazem uso crônico de anticoagulantes cumarínicos, como a varfarina, pois esses fármacos bloqueiam o ciclo da vitamina K de forma ampla. Na realidade, essa interação, que raramente é abordada nas consultas de rotina, representa uma lacuna clínica com consequências ósseas e vasculares que merecem atenção específica no acompanhamento geriátrico.
Magnésio e saúde óssea: muito além da contração muscular
O magnésio participa de mais de 300 reações enzimáticas no organismo, e entre elas está a regulação do metabolismo do cálcio e da vitamina D. Sem magnésio suficiente, a vitamina D não consegue ser convertida em sua forma ativa, o que compromete a absorção intestinal de cálcio, independentemente da quantidade suplementada. Além disso, o magnésio influencia diretamente a atividade dos osteoblastos, células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo.

Na avaliação de Yuri Silva Portela, a deficiência de magnésio é silenciosa e extremamente comum na população idosa, favorecida pelo uso de diuréticos, pelo consumo reduzido de alimentos ricos nesse mineral e pela diminuição da absorção intestinal associada ao envelhecimento. Desse modo, avaliar os níveis de magnésio e considerar sua suplementação como parte de um protocolo integrado de saúde óssea é uma conduta com respaldo científico crescente que a prática clínica ainda incorpora de forma insuficiente.
Silício, colágeno e a estrutura que sustenta o cálcio
O silício é um oligoelemento que participa da síntese de colágeno, proteína que forma a matriz orgânica do osso sobre a qual o cálcio se deposita. Um osso com matriz de colágeno degradada é um osso frágil, independentemente de sua densidade mineral, o que explica por que alguns idosos fraturam com valores de densitometria óssea que não indicariam risco elevado pelos critérios convencionais. O silício atua também na mineralização óssea e na saúde das articulações, com evidências de benefício em condições como osteoartrite.
Sob a perspectiva de Yuri Silva Portela, a qualidade óssea é um conceito mais amplo do que a densidade mineral avaliada pela densitometria. Tratar o osso do idoso como uma estrutura viva, dinâmica e dependente de múltiplos nutrientes é o que diferencia uma abordagem geriátrica sofisticada de uma prescrição mecânica de cálcio e vitamina D que ignora a complexidade do tecido que pretende proteger.
Uma abordagem nutricional integrada como estratégia de prevenção
Diante do que a ciência demonstra sobre a interdependência entre vitamina K2, magnésio, silício e a saúde do esqueleto envelhecido, a avaliação nutricional do idoso com risco de osteoporose precisa ir além dos marcadores convencionais. Investigar deficiências específicas, ajustar a dieta e considerar suplementação individualizada são condutas que ampliam significativamente o potencial preventivo do acompanhamento geriátrico.
Segundo Yuri Silva Portela, prevenir fraturas no idoso é proteger sua autonomia, sua mobilidade e sua qualidade de vida. E essa proteção começa muito antes da queda, na avaliação criteriosa de tudo que o osso precisa para se manter íntegro ao longo dos anos.
