Um dos principais exames educacionais do mundo, o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) avalia o conhecimento em leitura, matemática e ciência de estudantes de 15 anos, em 79 países.

Os resultados de 2018 foram divulgados nesta terça-feira (3), em todo o mundo. Este episódio do Folha na Sala explica o que é a prova, por que ela é tão importante e debate por que o Brasil sempre fica nas últimas colocações. 

O Folha na Sala conversou com o pesquisador Francisco Soares, um dos principais especialistas brasileiros em avaliação educacional, e o professor da rede municipal de Fortaleza José Gilson Lopes, premiado na Olimpíada de Língua Portuguesa.

O QUE É O PISA

Participaram da última edição do Pisa 600 mil estudantes, uma amostra feita para representar 32 milhões de alunos. A população avaliada tem como base sua idade, não uma série específica, porque os sistemas educacionais são diferentes –e alunos com a mesma idade estão em anos diferentes, dependendo da região.

Aos 15 anos, em grande parte dos países, os alunos já concluíram o ensino fundamental. No Brasil, onde 11 mil alunos fizeram o exame, tipicamente eles estão no 1º ou 2º ano do ensino médio. A amostra é feita para representar a população em termos socioeconômicos e participação da escola pública e privada.

A prova é organizada pela OCDE, organização que reúne países desenvolvidos. Nações como o Brasil entram como convidadas. Cada país tem um responsável local. No Brasil, é o Inep (instituto de pesquisa do Ministério da Educação).

A prova é conhecida por não ser conteudista, ou seja, cobra pouco memorização. A prioridade é medir o quanto o jovem adquiriu conhecimento e habilidades para uma participação plena na sociedade.

No caso de leitura, visa saber se o jovem adquiriu habilidades como seguir as instruções de um manual ou descobrir o quem, o que, quando, onde e por que de um evento.

O exame é feito a cada três anos, desde 2000. Na edição de 2018, quase todos os alunos fizeram a prova no computador, sendo a maior parte de forma dissertativa.

Os estudantes têm duas horas para completar o exame, que usa a metodologia de teoria de resposta ao item, semelhante ao Enem. 

Ou seja, não importa apenas quantas questões o estudante acerta, mas qual a coerência dos acertos (se erra muitas fáceis e acerta uma difícil, haverá desconto, pois esse acerto pode ter sido um chute). 

Em cada divulgação uma das áreas recebe ênfase –possuem mais questões e uma análise maior da OCDE. Na prova divulgada neste ano, o foco foi leitura.

Num exemplo de questão aplicada, o aluno recebe textos conflitantes sobre a queda populacional do povo Rapa Nui, na Polinésia.

Um livro, Collapsed, afirma que o povo desmatou a região, para fazer, por exemplo, grandes estátuas. A escassez de recursos naturais causou uma guerra civil. Em outro texto, um trabalho acadêmico, traz a hipótese de que ratos chegaram à ilha junto com as canoas dos humanos. Os ratos comeram as sementes das árvores, causando a devastação, segundo essa versão.

Ao aluno foi questionado o que causou o quase extermínio do povo Rapa Nui. Segundo o manual do exame, não havia na questão dissertativa a resposta certa. A ideia era avaliar o quanto o aluno conseguia comparar os textos, se tinham lógica. Podia até responder que não havia evidências suficientes para uma resposta segura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *