O Instituto Aço Brasil, que representa a indústria de aço no país, disse que recebeu “com perplexidade” o anúncio de que os Estados Unidos vão voltar a aplicar tarifas sobre o produto brasileiro. Para a entidade, o movimento é uma “retaliação” “que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”.

De acordo com o instituto, a decisão deve prejudicar até mesmo a indústria de aço norte-americana, “que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta segunda-feira (2), em uma rede social, Brasil e Argentina de desvalorizarem “maciçamente” suas moedas, e afirmou que vai reinstalar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio dos dois países.

“O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de compensar o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil”, disse, em nota, a entidade.

Analistas ouvidos pelo G1também rebateram a acusação de Trump de que o Brasil estaria desvalorizando o real como uma política cambial e destacaram que entre os principais fatores que explicam uma disparada do dólar no país nas últimas semanas estão a queda do diferencial de juros entre Brasil e EUA, o aumento da tensão social na América Latina, e a própria guerra comercial.

Valdo Cruz e Ana Flor comentam a possibilidade de Trump taxar aço e alumínio do Brasil

O Brasil está entre os principais fornecedores de aço e ferro para os Estados Unidos.

Atualmente, as taxas são de 0,9%, para o aço e 2% para o alumínio, segundo a BBC Brasil. Trump escreveu que a medida teria “efeito imediato”, mas ainda não está claro se a sobretaxa dos produtos brasileiros será a mesma adotada temporariamente no ano passado (25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio) nem quando ela de fato passará a valer.

Em agosto de 2018, Trump anunciou um alívio nas cotas de importação de aço e alumínio que excedam as cotas livres do pagamento das sobretaxas impostas pelo governo dos Estados Unidos em março do mesmo ano. A decisão de flexibilizar a tarifa atingiu as cotas de aço da Coreia do Sul, Brasil e Argentina, além do alumínio da Argentina.

Desde então, as empresas americanas que compram aço do Brasil não precisam pagar 25% a mais sobre o preço original, caso comprovem falta de matéria-prima no mercado interno.

No caso do alumínio, a indústria brasileira optou por pagar a sobretaxa em vez de adotar as cotas limitadas de exportação, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), que representa o setor.

“Desde 1º de junho de 2018, as exportações de produtos de alumínio brasileiro aos Estados Unidos pagam sobretaxa”, diz a entidade em nota.

Do início do ano até a última sexta-feira (29), o dólar já subiu 9,43% frente ao real, barateando as exportações brasileiras e aumentando a competitividade dos produtos do país lá fora. Somente em novembro, a alta foi de 5,73%.

O real foi a quarta moeda que mais perdeu valor em relação ao dólar no mês de novembro, segundo levantamento da Austin Rating, com uma desvalorização de 5,2%. A moeda brasileira ficou atrás somente do bolívar soberano, da Venezuela (-36,1%), do kwacha, da Zâmbia (-9,3%), e do peso do Chile (-8,1%).

O ranking considera as variações de 121 moedas no mundo. No acumulado no ano, o Brasil ocupa a 13ª posição. A liderança é da Venezuela (-98,3%), seguida pela Argentina (-37,2%).

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