O comércio global de soja está passando por um processo de reestruturação, e Wander Aguilera Almeida, empresário que atua na intermediação de compra e venda de grãos, observa que as decisões tomadas em Pequim e Washington chegam rapidamente às negociações nas praças produtoras brasileiras. O relacionamento entre China e Estados Unidos reemergiu como um dos principais fatores que influenciam o preço da oleaginosa produzida no país.
Em 2025, o Brasil alcançou um novo recorde histórico com a exportação de 108,6 milhões de toneladas de soja, sendo que cerca de 80% desse volume foi destinado ao mercado chinês. Para 2026, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta um novo recorde de 112 milhões de toneladas, com uma redução de cerca de 10 milhões de toneladas nos embarques destinados à China. Tal redução se deve à retomada das compras de soja norte-americana, após a trégua comercial entre as duas potências.
Esse movimento combina concorrência maior no principal cliente com oportunidades em outros mercados. Este artigo visa detalhar como a competição entre Brasil e Estados Unidos pela China impacta os preços e os prêmios, quais destinos se destacam e o que essa transformação representa para a comercialização da soja brasileira.
A dependência da China e a volta da soja americana
Atualmente, a China lidera as importações de soja no mundo, sendo que o Brasil é o principal fornecedor do produto para o país, posição que se consolidou ao longo da última década. Em parte, esse avanço foi favorecido pelas tensões comerciais entre Pequim e Washington, que reduziram as compras chinesas do produto norte-americano e abriram espaço para o grão brasileiro.
O cenário atual foi modificado pelos compromissos anunciados entre os dois países. De acordo com informações da Casa Branca, a China assumiu o compromisso de adquirir, no mínimo, 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano no período entre 2026 e 2028. O volume em questão não representa uma ameaça à liderança brasileira, mas contribui para o aumento da concorrência e a pressão sobre os prêmios pagos nos portos do país.
Os calendários de safra são ferramentas que auxiliam na mitigação desse efeito. O Brasil colhe e exporta principalmente entre fevereiro e julho, enquanto a soja norte-americana chega ao mercado a partir de setembro. Ao analisar esse quadro, Wander Aguilera Almeida evidencia que a sazonalidade da concorrência constitui um dos elementos que o produtor deve considerar ao definir o ritmo de vendas ao longo do ano.
Impactos da nova disputa sobre a soja brasileira
Para quem produz, a mudança não se limita aos números de embarque divulgados ao longo do ano. O rearranjo do comércio internacional se manifesta em diferentes pontos da cadeia, com efeitos que vão do porto à porteira:
- Prêmios de exportação mais voláteis: com mais concorrência pelo comprador chinês, os prêmios pagos sobre a cotação de Chicago tendem a oscilar com mais intensidade, alterando o preço final recebido pelo produtor brasileiro.
- Diversificação de destinos: países como Espanha, Tailândia, Turquia, Vietnã, Paquistão, Taiwan e Holanda aparecem entre os mercados que ganham relevância, reduzindo a concentração das vendas em um único cliente.
- Mais valor agregado no país: o esmagamento interno da soja para produção de farelo e óleo ganha importância, impulsionado pela demanda por ração animal, biodiesel e, no futuro, combustível sustentável de aviação.
- Atenção aos acordos comerciais: negociações como a do acordo entre Mercosul e União Europeia podem ampliar a previsibilidade e reduzir custos para exportadores, influenciando a competitividade do grão brasileiro em mercados tradicionais.

Esses fatores indicam que o mercado de soja deixou de depender de um único fator. Wander Aguilera Almeida, responsável pelo acompanhamento das safras e da evolução das cotações, indica que a análise conjunta de prêmios, câmbio e demanda internacional contribui para a compreensão dos motivos pelos quais o preço nas praças produtoras não sempre acompanha a direção da Bolsa de Chicago.
A diversificação como tendência estrutural
A concentração das exportações em um único destino acarreta riscos evidentes. Alterações nas diretrizes comerciais, flutuações na demanda chinesa ou novos acordos entre grandes potências podem modificar o fluxo de compras com celeridade. Diante do exposto, ampliar a presença em outros mercados tornou-se uma estratégia relevante para o agronegócio brasileiro.
O aumento do consumo em países asiáticos e do Oriente Médio, impulsionado pelo crescimento da produção de carnes e pela urbanização, cria oportunidades para o grão e o farelo do Brasil. Ao avaliar o tema, Wander Aguilera Almeida pontua que a diversificação de destinos tende a proporcionar mais estabilidade ao mercado ao longo do tempo, reduzindo a exposição do produtor a decisões tomadas em um único país.
A demanda interna também se fortalece. A ampliação da capacidade de esmagamento e o avanço dos biocombustíveis têm o potencial de transformar parte da soja que seria exportada em grão em produtos de maior valor, criando novas referências de preço e novas oportunidades de negociação dentro do país.
Um mercado mais competitivo e mais diverso
A competição entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês marca o início de um período de maior concorrência para a soja brasileira, mas também acelera a busca por novos destinos e por mais valor agregado. Em meio às operações do agronegócio, sob a liderança do empresário Wander Aguilera Almeida, essas mudanças são monitoradas como um componente fundamental da formação de preços da oleaginosa.
Para o produtor, o novo cenário exige atenção a variáveis que vão além da produtividade da lavoura, como acordos comerciais, prêmios nos portos e calendário de safra dos concorrentes. Acompanhar esses fatores auxilia na definição do melhor momento e da melhor forma de vender.
Wander Aguilera Almeida atua na interface entre produtores e compradores, acompanhando de perto as transformações do mercado. Nesse cenário, a soja brasileira se mostra competitiva, embora necessite conquistar espaço em um comércio global mais competitivo e com um número maior de alternativas de destino.
