Telessaúde ganha espaço no SUS e mostra como a tecnologia pode aproximar atendimento de quem vive longe dos grandes centros

Felix Arvendal
Felix Arvendal
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Experiência pioneira de Parintins completa 20 anos e revela como consultas, exames e especialistas podem chegar a comunidades de difícil acesso

A telessaúde voltou a chamar atenção no Brasil após uma experiência pioneira completar duas décadas em Parintins, no Amazonas. O município, que recebeu em 2006 o primeiro núcleo de telessaúde do país, atualmente possui 22 pontos distribuídos entre unidades urbanas, serviços especializados e comunidades ribeirinhas. A expansão ocorre justamente quando o SUS amplia o uso de ferramentas digitais para reduzir barreiras geográficas e facilitar o acesso a profissionais especializados. (Serviços e Informações do Brasil)

O assunto desperta interesse porque apresenta uma questão cada vez mais presente na rotina dos brasileiros: é possível receber parte do atendimento de saúde sem precisar viajar horas até outra cidade? Em determinadas situações, a resposta já é sim. Teleconsultas, teleinterconsultas e exames realizados com apoio remoto estão sendo incorporados à rede pública, principalmente em regiões onde distância, transporte e infraestrutura dificultam o atendimento presencial. (Serviços e Informações do Brasil)

Por que a telessaúde está ganhando espaço no Brasil?

A principal razão para o avanço da telessaúde é bastante prática: a distância ainda representa uma barreira importante para o acesso à saúde em várias regiões brasileiras. Na Amazônia, por exemplo, deslocamentos podem depender das condições dos rios e levar horas. Nesse cenário, conectar uma equipe local a especialistas de outras localidades pode permitir que determinadas avaliações aconteçam sem que o paciente precise deixar sua comunidade. (Serviços e Informações do Brasil)

Parintins oferece um exemplo concreto dessa transformação. O município conta atualmente com nove pontos de telessaúde em unidades ribeirinhas, seis em unidades urbanas da Atenção Primária e sete em serviços especializados. A estrutura permite realizar modalidades como teleconsulta, teleinterconsulta e telediagnóstico, aproximando profissionais locais de especialistas em diferentes áreas. (Serviços e Informações do Brasil)

Os números ajudam a dimensionar o crescimento. Entre janeiro e agosto de 2026, o sistema municipal registrou 1.116 teleconsultas envolvendo 35 profissionais e 19 unidades de saúde. No mesmo período, foram realizados 4.120 eletrocardiogramas e 367 exames laboratoriais descentralizados. Isso significa que a tecnologia não está sendo usada apenas para conversas por vídeo, mas também para apoiar diagnósticos e ampliar a capacidade de atendimento local. (Serviços e Informações do Brasil)

A tendência também aparece em escala nacional. Segundo o Ministério da Saúde, entre janeiro de 2025 e junho de 2026 foram registrados mais de 10,3 milhões de procedimentos de telessaúde no SUS. Os Núcleos de Telessaúde contabilizaram mais de 3 milhões de teleatendimentos em 2.660 municípios, enquanto a oferta nacional de telediagnóstico produziu mais de 3,5 milhões de laudos. (Serviços e Informações do Brasil)

O que muda para quem precisa de atendimento de saúde?

Para o paciente, a principal mudança potencial está no tempo necessário para conseguir determinados atendimentos. Uma pessoa que vive em uma comunidade distante pode ter acesso a uma avaliação especializada sem precisar fazer imediatamente uma longa viagem. Isso não significa substituir todo atendimento presencial, mas utilizar a tecnologia quando ela é adequada para aquela situação.

Em Parintins, a estratégia ganhou importância especialmente para moradores de comunidades ribeirinhas. Desde abril de 2026, todas as nove unidades de saúde ribeirinhas do município passaram a contar com salas de telessaúde. A iniciativa permite que atendimentos que possam ser resolvidos remotamente sejam realizados mais perto da população. (Serviços e Informações do Brasil)

Outra mudança importante está na capacidade dos próprios profissionais de saúde. Uma equipe que atua em uma unidade distante pode utilizar a telessaúde para discutir casos com especialistas, buscar apoio diagnóstico e tomar decisões com maior suporte técnico. A tecnologia, portanto, também funciona como ferramenta de integração entre diferentes pontos da rede.

O modelo pode ser particularmente relevante para especialidades que nem sempre estão disponíveis de forma presencial em municípios menores. Em Parintins, a rede de telessaúde já articula atendimento remoto em áreas como cardiologia, pediatria, neurologia, endocrinologia, ginecologia, psiquiatria, oftalmologia e ortopedia, entre outras. (Serviços e Informações do Brasil)

A telessaúde vai substituir as consultas presenciais?

Não. A expansão da telessaúde deve ser entendida como uma forma de complementar o atendimento tradicional. Há situações que exigem avaliação física, procedimentos, exames presenciais ou acompanhamento direto de profissionais. A tecnologia pode reduzir deslocamentos quando o atendimento remoto é apropriado, mas não elimina a necessidade de estruturas físicas de saúde.

O próprio avanço da estratégia mostra uma combinação entre atendimento presencial e ferramentas digitais. O Ministério da Saúde prevê a implantação de 7 mil kits de equipamentos para teleconsulta até o fim de 2026. A seleção alcançou 4.515 municípios, e até 30 de agosto cerca de 3 mil kits já haviam sido entregues a 1.565 municípios. Outros 4 mil estavam em processo de aquisição. (Serviços e Informações do Brasil)

Esse movimento também aponta para uma mudança mais ampla na forma como o SUS utiliza tecnologia. Em setembro, o Ministério da Saúde anunciou um grupo de trabalho para estudar novas possibilidades no Farmácia Popular, incluindo telessaúde, teleatendimento e exames diagnósticos. A proposta ainda está em fase de estudos e avaliação técnica, mas mostra que os serviços digitais estão sendo considerados em diferentes pontos da assistência. (Serviços e Informações do Brasil)

O caso de Parintins também ajuda a entender o que pode acontecer nos próximos anos. O Ministério da Saúde informa que 29 Núcleos de Telessaúde com atuação estadual estão credenciados e em funcionamento, enquanto outros 34 estão em implantação. Com a conclusão desse processo, a expectativa é ultrapassar 60 núcleos distribuídos pelas 27 unidades da Federação. (Serviços e Informações do Brasil)

A tendência é que consultas remotas, telediagnóstico e integração digital se tornem cada vez mais presentes onde houver dificuldade de acesso a especialistas. Para o cidadão, isso pode significar menos deslocamentos em situações adequadas, maior integração entre profissionais e novas alternativas de atendimento. O desafio será garantir que a expansão venha acompanhada de equipamentos, conexão confiável, profissionais capacitados e proteção das informações dos pacientes. A experiência iniciada há 20 anos em Parintins mostra que a transformação já começou e que a tecnologia pode ter um papel importante na aproximação entre o SUS e populações que historicamente enfrentam grandes distâncias para conseguir atendimento. (Serviços e Informações do Brasil)

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