Por que o frio voltou ao Brasil mesmo com o El Niño? Entenda o que acontece em setembro

Felix Arvendal
Felix Arvendal
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Massas de ar frio continuam provocando quedas de temperatura no Centro-Sul, enquanto previsões indicam um setembro marcado por mudanças bruscas no tempo.

O frio voltou a chamar a atenção dos brasileiros justamente em um período em que o país já esperava a aproximação da primavera. Em diferentes áreas do Centro-Sul, temperaturas baixas, chuva e até registros de neve fizeram muita gente questionar como o fenômeno El Niño pode estar presente ao mesmo tempo em que massas de ar frio avançam pelo território nacional. A resposta está na diferença entre previsão climática e previsão do tempo. O El Niño influencia padrões atmosféricos durante meses, mas não impede a passagem de frentes frias capazes de provocar quedas acentuadas de temperatura durante alguns dias. O cenário atual também ganhou relevância porque os órgãos responsáveis pelo monitoramento climático apontam tendência de temperaturas acima da média entre setembro e novembro, mas sem descartar episódios de frio intenso. Para quem vive no Sul e no Sudeste, isso significa que o clima das próximas semanas pode continuar bastante irregular. (UOL Notícias)

Como o Brasil pode ter frio intenso durante um período de El Niño?

O primeiro ponto para entender o fenômeno é separar clima de tempo. A previsão climática trabalha com tendências para períodos mais longos, como meses ou estações, enquanto a previsão meteorológica procura identificar as condições que deverão ocorrer nos próximos dias. Assim, uma indicação de temperaturas acima da média para setembro não significa que todos os dias do mês serão quentes.

O El Niño altera a circulação atmosférica e a distribuição de calor e umidade em diferentes regiões do planeta. Seus efeitos aumentam a probabilidade de determinados padrões climáticos, mas não funcionam como uma barreira contra massas de ar frio. Frentes frias continuam podendo avançar pelo continente e provocar mudanças rápidas nas temperaturas, principalmente durante a transição entre o inverno e a primavera. (UOL Notícias)

Esse contraste ajuda a explicar por que muitas pessoas podem perceber dias muito frios seguidos por períodos de calor. Uma massa de ar frio pode provocar uma queda expressiva nos termômetros e, poucos dias depois, perder força, permitindo que temperaturas mais elevadas retornem. O resultado é uma sensação de instabilidade que pode permanecer durante boa parte de setembro.

De acordo com o painel climático referente ao El Niño 2026/2027, produzido com participação de órgãos como Inmet, Inpe e Cemaden, existe maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do Brasil entre setembro e novembro. Ao mesmo tempo, o próprio cenário climático não elimina a possibilidade de episódios pontuais de frio. (UOL Notícias)

Quais regiões podem sentir mais os efeitos das mudanças de temperatura?

O Sul do Brasil aparece entre as áreas mais suscetíveis aos efeitos das incursões de ar frio neste momento. Nos últimos dias, uma massa de ar frio provocou temperaturas negativas e ocorrência de neve em pontos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Uma nova incursão, menos intensa, também está prevista para os próximos dias, mantendo a possibilidade de temperaturas mais baixas durante parte do fim de semana e do início da próxima semana. (UOL Notícias)

A influência não fica necessariamente restrita aos estados da Região Sul. Sistemas atmosféricos que avançam pelo interior do continente podem provocar mudanças de temperatura também em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Por isso, o comportamento do tempo pode mudar rapidamente entre cidades relativamente próximas, dependendo da passagem das frentes frias e da atuação das massas de ar.

Outro elemento importante é a chuva. O El Niño também está associado a uma maior probabilidade de precipitações acima da média na Região Sul durante o trimestre formado por setembro, outubro e novembro. Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também aparecem no cenário de maior possibilidade de chuva. (UOL Notícias)

Isso ajuda a explicar uma situação que pode parecer estranha para quem acompanha apenas a temperatura. Dias frios podem ocorrer acompanhados de chuva, especialmente durante a passagem de uma frente fria. Depois que o sistema avança, o ar frio pode ocupar a região e provocar uma queda mais acentuada nos termômetros.

Para a população, a principal consequência é a necessidade de acompanhar previsões de curto prazo, principalmente em períodos de mudança de estação. Uma tendência climática para três meses não substitui a previsão meteorológica específica para uma cidade. Essa diferença pode ser importante para quem precisa planejar viagens, atividades ao ar livre, agricultura ou deslocamentos em regiões sujeitas a chuva intensa.

O frio vai continuar durante setembro?

A tendência apresentada para setembro não aponta para um mês de temperaturas baixas de forma permanente. O cenário mais provável é de alternância entre períodos mais quentes e novas incursões de ar frio. No Sul, essa variação pode ser especialmente perceptível, porque a região deve continuar sob influência de condições favoráveis a chuva acima da média e à passagem de sistemas meteorológicos capazes de provocar quedas temporárias de temperatura. (UOL Notícias)

Isso significa que guardar definitivamente os casacos ou considerar que o inverno terminou pode ser precipitado. Mesmo com a proximidade da primavera e com a tendência de temperaturas mais elevadas no conjunto do trimestre, episódios de frio ainda podem aparecer. Para o consumidor, isso também pode mudar hábitos cotidianos, desde o uso de aquecedores e roupas de inverno até o planejamento de viagens e atividades externas.

O comportamento do clima também interessa a setores econômicos. Agricultura, energia, transporte e comércio precisam lidar com mudanças de temperatura e precipitação que podem ocorrer em períodos relativamente curtos. Uma sequência de dias quentes seguida por uma nova onda de frio pode alterar demanda por determinados produtos e serviços, além de exigir ajustes em atividades agrícolas.

Nas próximas semanas, a atenção deverá permanecer concentrada na intensidade e na frequência das novas massas de ar frio. A previsão atual indica que o episódio mais recente não representa necessariamente o último do mês. Ao mesmo tempo, o padrão geral continua apontando para temperaturas mais elevadas no trimestre, mostrando que não existe contradição entre a presença do El Niño e a ocorrência de frio intenso.

Para quem quer saber como será o tempo nos próximos dias, a melhor estratégia é acompanhar previsões atualizadas para sua própria cidade. O El Niño ajuda a explicar tendências de longo prazo, mas são os sistemas meteorológicos de curto prazo que determinam se determinado dia será quente, frio, chuvoso ou marcado por uma mudança brusca de temperatura. É justamente essa combinação que pode fazer de setembro um dos meses mais instáveis do período de transição entre inverno e primavera. (UOL Notícias)

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