Por que pequenas empresas adotam criptoativos no Brasil?

Felix Arvendal
Felix Arvendal
5 Min de leitura
Paulo de Matos Junior

Paulo de Matos Junior, como empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, observa que a associação entre criptoativos e grandes investidores institucionais esconde um movimento menos comentado: pequenos negócios brasileiros vêm adotando esses ativos para resolver problemas práticos do dia a dia, muito antes de qualquer sofisticação financeira entrar em cena.

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A ideia de que cripto é só para grandes investidores

Existe uma percepção comum de que operar com criptoativos exige capital elevado e conhecimento técnico avançado, reservando essa prática a fundos, gestoras e investidores de alto patrimônio. Tal visão ignora um uso bem mais concreto e imediato: o de pequenas empresas que recorrem a criptoativos para resolver limitações práticas de pagamento e recebimento internacional. Aplicações desse tipo costumam passar despercebidas justamente por não gerarem manchetes chamativas sobre valorização ou especulação de mercado.

Trata-se de uma percepção equivocada, como argumenta Paulo de Matos Junior, que acaba afastando pequenos empreendedores de uma ferramenta que, em muitos casos, resolveria problemas reais de forma mais simples do que os canais bancários tradicionais disponíveis atualmente. A falta de informação acessível sobre o tema contribui diretamente para perpetuar essa distância.

Como pequenos negócios usam criptoativos na prática?

Empresas que importam produtos ou pagam fornecedores no exterior enfrentam com frequência prazos longos de liquidação e tarifas elevadas em transferências bancárias internacionais. Para negócios de menor porte, essas tarifas fixas costumam pesar proporcionalmente mais do que para grandes companhias, tornando alternativas mais baratas especialmente atrativas. Pequenos comércios eletrônicos que vendem para clientes no exterior enfrentam o problema pelo lado inverso, recebendo pagamentos internacionais sujeitos às mesmas tarifas e prazos, o que reduz a margem líquida da operação mesmo quando o volume de vendas é considerado saudável.

Ao utilizar criptoativos, sobretudo stablecoins, para pagamentos internacionais, essas empresas reduzem o número de intermediários bancários envolvidos na operação e conseguem previsibilidade maior sobre o valor final pago ou recebido, sem depender de conversões cambiais realizadas em momentos distintos do processo. Fornecedores localizados em diferentes países, cada um com sua própria moeda de referência, tornam esse tipo de previsibilidade ainda mais valioso para quem precisa fechar preços com antecedência.

Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

O que motiva essa adoção além do custo?

A rapidez da liquidação é outro fator relevante para pequenos negócios que dependem de fluxo de caixa apertado para manter a operação funcionando. Enquanto uma transferência bancária internacional pode levar dias para ser concluída, uma transação em criptoativos costuma se confirmar em minutos, o que reduz a espera por recursos essenciais ao capital de giro. Para um negócio que trabalha com margens reduzidas, esses dias de espera representam capital parado que poderia estar sendo reinvestido na própria operação.

Negócios sazonais ou dependentes de importação constante sentem esse ganho de velocidade com ainda mais intensidade, como aponta Paulo de Matos Junior, já que o atraso na liquidação de um pagamento pode comprometer prazos de entrega ou reposição de estoque. A previsibilidade de caixa, nesses casos, pesa tanto quanto a economia direta em tarifas.

O que a regulação muda para esse tipo de uso?

A entrada em vigor das novas regras do Banco Central para prestadoras de serviços com criptoativos tende a dar mais segurança jurídica também para pequenos empresários que já utilizam esses ativos informalmente. Trabalhar com empresas devidamente autorizadas passa a ser um diferencial competitivo, especialmente para negócios que dependem de previsibilidade contábil e fiscal para planejar seu crescimento. Contadores e consultorias que atendem pequenas empresas também tendem a se beneficiar dessa maior clareza regulatória, já que a formalização facilita o registro contábil de operações que antes exigiam interpretações caso a caso.

A regulação não cria essa demanda por criptoativos entre pequenas empresas, na avaliação de Paulo de Matos Junior, apenas formaliza um comportamento que já vinha crescendo silenciosamente, sustentado por necessidades práticas de custo e velocidade nas operações internacionais.

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