Filme que a Warner quase destruiu para pagar menos imposto finalmente estreia no Brasil

Felix Arvendal
Felix Arvendal
5 Min de leitura

“Coyote vs. Acme” chega às salas brasileiras em 27 de agosto, um dia antes dos Estados Unidos, após ser engavetado em 2023.

Poucas histórias nos bastidores de Hollywood geraram tanta indignação de fãs quanto a de “Coyote vs. Acme”. O longa que mistura live-action e animação dos Looney Tunes esteve pronto e engavetado por quase três anos antes de finalmente ganhar data de estreia. A dúvida que moveu boa parte da cobertura sobre o filme desde então é direta: como um projeto totalmente finalizado pode simplesmente desaparecer de cartaz?

A Warner Bros. Discovery decidiu arquivar o filme em novembro de 2023 para obter um abatimento fiscal, mas voltou atrás após forte reação pública e permitiu que a produção buscasse outras distribuidoras. A decisão inicial de cancelar uma obra já concluída, sem sequer lançá-la em streaming, gerou revolta entre fãs e profissionais da indústria, que viram no caso um símbolo de um modelo contábil que privilegia benefícios tributários em detrimento do próprio conteúdo produzido. Wikipedia

Do arquivamento ao resgate por outro estúdio

Depois de negociações que não avançaram com diferentes distribuidoras, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos do filme em março de 2025, dando início ao processo que culminou na data de estreia agora confirmada. No Brasil, a distribuição ficou a cargo da Paris Filmes, que apostou no potencial de bilheteria de uma produção construída em cima de personagens tão conhecidos quanto Papa-Léguas e Wile E. Coyote.

A trama segue o coiote que, depois de décadas de fracassos usando produtos da Acme Corporation em sua perseguição ao Papa-Léguas, decide processar a empresa por danos causados ao longo dos anos. Para isso, contrata um advogado de outdoor vivido por Will Forte, que enfrenta o antigo chefe interpretado por John Cena em um embate judicial que mistura humor físico clássico dos desenhos com uma narrativa emocional entre homem e personagem animado.

Recepção da crítica supera expectativas

Antes mesmo da estreia comercial, o filme já vinha conquistando resultados que surpreenderam analistas do setor. Em exibições para a imprensa especializada realizadas nos Estados Unidos, a produção recebeu elogios por equilibrar humor e emoção, com parte da crítica classificando o resultado como o melhor híbrido de live-action e animação desde “Uma Cilada para Roger Rabbit”, de 1988. No Rotten Tomatoes, o longa chegou a debutar com índice de aprovação próximo dos 100%, número raro para uma produção baseada em personagens de desenho animado voltada ao público familiar.

Esse desempenho reforça a impressão de que o cancelamento original não tinha relação com a qualidade do material, e sim com uma estratégia financeira do estúdio na época. Para quem acompanhou a novela nos bastidores, ver o filme finalmente em cartaz funciona quase como uma vitória simbólica do público sobre decisões puramente corporativas.

Estreia antecipada em relação aos Estados Unidos

No Brasil, “Coyote vs. Acme” chega às salas em 27 de agosto de 2026, um dia antes do lançamento oficial nos cinemas norte-americanos, marcado para 28 de agosto. A antecipação segue o padrão adotado pela Paris Filmes em lançamentos comerciais de maior peso, garantindo ao público brasileiro acesso à produção antes mesmo do mercado de origem do filme.

Com elenco que reúne Will Forte, John Cena e Lana Condor, além das vozes de personagens clássicos dos Looney Tunes como Bugs Bunny e Piu-Piu, a expectativa do mercado é que o longa se torne uma das apostas mais fortes de agosto nas salas brasileiras, especialmente entre famílias em busca de uma opção que combine nostalgia e humor para diferentes idades. Se a recepção do público repetir o entusiasmo já demonstrado pela crítica, o caso de “Coyote vs. Acme” pode se tornar referência de como a pressão pública ainda consegue reverter decisões que pareciam definitivas dentro dos grandes estúdios.

Fontes: Omelete | Wikipedia (Coyote vs. Acme) | Ingresso.com

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