Anatel identifica equipamentos clandestinos usados para bloquear sinal de operadoras e aplicar fraudes; veja como se proteger.
Um novo tipo de golpe está preocupando usuários de celular em diferentes cidades do país. Criminosos passaram a usar antenas falsas para interromper o sinal verdadeiro das operadoras de telefonia e, a partir daí, disparar mensagens de texto fraudulentas diretamente para os aparelhos das vítimas. A prática é usada para bloquear o sinal verdadeiro de operadoras de telefonia e aplicar golpes por SMS em vítimas de várias cidades do país. Para quem recebe uma mensagem suspeita sem clicar em nada, a dúvida mais comum é simples: isso já é suficiente para colocar meus dados em risco? Minha Operadora
A resposta passa por entender como o golpe funciona. As antenas clandestinas exploram uma brecha na tecnologia 2G, ainda presente na maioria dos celulares por compatibilidade com redes antigas. Um especialista ouvido pela imprensa explicou que, nas gerações mais recentes de conexão, como 4G e 5G, existe uma verificação de mão dupla entre rede e aparelho, o que não acontece no padrão 2G, tornando o celular vulnerável a qualquer antena que consiga se comunicar com ele.
O tamanho do problema no Brasil
A Agência Nacional de Telecomunicações apreendeu 11 antenas falsas desde 2025, sendo nove na cidade de São Paulo e duas no Rio de Janeiro, segundo dados oficiais divulgados pelo órgão regulador. O número pode parecer pequeno diante do tamanho da população brasileira, mas a preocupação das autoridades está no potencial de cada equipamento: um único aparelho clandestino consegue atingir centenas de pessoas em um raio de poucos quarteirões, sem que a operadora legítima perceba a interferência imediatamente. Estadão MT
Os temas usados nas mensagens seguem um padrão bem conhecido de quem trabalha com segurança digital. Ganhos com apostas, ofertas de crédito e confirmação de compras estão entre as abordagens falsas mais usadas nesse tipo de golpe por SMS. A ideia é sempre a mesma: criar urgência ou expectativa de vantagem financeira para que a vítima clique em um link antes de parar para pensar.
Como identificar e se proteger
Diferente de golpes por ligação, em que a vítima pode desconfiar da voz ou do tom da conversa, o SMS chega de forma silenciosa e muitas vezes imitando comunicados de bancos, aplicativos de entrega ou até órgãos públicos. Por isso, o comportamento diante da mensagem importa mais do que tentar identificar visualmente se ela é falsa.
Algumas medidas simples reduzem bastante a exposição ao golpe da antena falsa. No sistema Android, é possível entrar em Configurações, depois Conexões e Redes móveis, e desativar a opção que permite o uso do serviço 2G. Em aparelhos com iOS, o caminho é acessar Ajustes, depois Privacidade e Segurança, e ativar o Modo de Isolamento. Manter o sistema operacional sempre atualizado também dificulta a ação de criminosos que exploram falhas conhecidas.
Além dos ajustes técnicos, vale manter alguns hábitos: não clicar em links recebidos por SMS de remetentes desconhecidos e não instalar aplicativos a partir de pedidos enviados por mensagem de texto, mesmo que o texto pareça vir de uma empresa confiável. Em caso de dúvida sobre a autenticidade de uma cobrança ou notificação, o caminho mais seguro é acessar diretamente o site ou aplicativo oficial da instituição, sem usar o link recebido.
Fiscalização deve continuar em 2026
A Anatel já vem endurecendo regras contra fraudes de telecomunicações de forma mais ampla, incluindo medidas para combater a falsificação do número exibido nas chamadas, prática conhecida como spoofing. A expectativa do setor é que a fiscalização sobre equipamentos clandestinos de transmissão também se intensifique ao longo do segundo semestre, à medida que mais casos são identificados em diferentes estados.
Para o usuário comum, a recomendação prática segue sendo a mesma repetida por especialistas em segurança digital: desconfiar de qualquer mensagem que peça ação imediata, verificar sempre a fonte antes de clicar e denunciar tentativas de golpe aos canais oficiais da operadora ou da própria Anatel. Enquanto a fiscalização avança, a cautela do usuário continua sendo a primeira linha de defesa contra esse tipo de fraude.
Fontes: Minha Operadora | Estadão Mato Grosso
