Administrador judicial em recuperação e falência: Como sua atuação impacta os credores na prática? Saiba agora com Felipe Rassi

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Felipe Rassi

Assim como pontua Felipe Rassi, especialista jurídico, o administrador judicial é uma das figuras centrais nos processos de recuperação judicial e falência no Brasil, mas sua função e seus poderes reais são frequentemente mal compreendidos pelos credores. Nomeado pelo juiz, ele atua como um elo entre o Poder Judiciário, a empresa devedora e os credores, com responsabilidades que vão da fiscalização do devedor à presidência das assembleias de credores. O problema é que a forma como esse papel é exercido varia consideravelmente dependendo do profissional nomeado, da complexidade do caso e do grau de controle exercido pelo juízo. 

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Quais são as responsabilidades reais do administrador judicial?

A Lei de Recuperação de Empresas e Falências atribui ao administrador judicial um conjunto extenso de responsabilidades. Na recuperação judicial, ele fiscaliza o cumprimento do plano aprovado pelos credores, verifica se a empresa está respeitando as condições estabelecidas e elabora relatórios periódicos sobre a situação do processo. Em caso de falência, assume funções mais amplas, gerenciando a arrecadação e liquidação dos ativos do devedor com o objetivo de maximizar o valor a ser distribuído aos credores.

Na prática, a qualidade do trabalho desenvolvido pelo administrador judicial tem impacto direto sobre o resultado que os credores vão obter. Um profissional que acompanha o processo com rigor, identifica desvios no cumprimento do plano com rapidez e age com transparência na comunicação com os credores cria condições para uma recuperação mais ordenada e previsível. Um administrador omisso ou com capacidade técnica insuficiente para o porte do caso contribui para um processo mais lento, com maior deterioração dos ativos e menor taxa de recuperação para os credores.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Felipe Rassi elucida que a presidência das assembleias gerais de credores é uma das funções de maior visibilidade. O administrador judicial conduz as deliberações, assegura que os procedimentos previstos em lei sejam respeitados e certifica o resultado das votações. A forma como esse papel é exercido afeta a qualidade do debate e a legitimidade das decisões tomadas. Assembleias mal conduzidas podem gerar questionamentos judiciais que atrasam o processo e criam incerteza sobre decisões que já haviam sido tomadas.

Como os credores podem acompanhar e influenciar a atuação do administrador?

Os credores têm o direito de acompanhar o processo e de questionar a atuação do administrador judicial quando identificarem irregularidades ou omissões. O Comitê de Credores, quando constituído, é o principal canal institucional para esse acompanhamento. Segundo o especialista jurídico, Felipe Rassi, esse órgão, composto por representantes das diferentes classes de credores, têm acesso a informações do processo, pode requerer esclarecimentos ao administrador e pode comunicar ao juízo situações que indiquem descumprimento de obrigações.

A constituição do Comitê de Credores é facultativa, mas estrategicamente valiosa em processos de maior complexidade. Credores que participam ativamente desse comitê têm acesso a informações privilegiadas sobre o andamento do processo e sobre a situação real da empresa devedora, o que melhora significativamente sua capacidade de tomar decisões informadas ao longo do tempo. A passividade, em casos complexos, frequentemente resulta em surpresas desagradáveis quando o processo já está em estágio avançado.

O que acontece quando o administrador judicial não cumpre suas obrigações?

Por fim, conforme destaca Felipe Rassi, a responsabilidade do administrador judicial é pessoal. Quando ele falha no cumprimento de suas obrigações de forma culposa ou dolosa, está sujeito a responder pelos danos causados a credores e ao processo. Na prática, porém, responsabilizar o administrador judicial requer a demonstração concreta do nexo entre sua omissão ou conduta inadequada e o prejuízo sofrido, o que é juridicamente exigente e processualmente demorado.

Mecanismos mais imediatos incluem a substituição do administrador por requerimento ao juízo, quando demonstrado que sua atuação compromete o andamento do processo ou os interesses dos credores. Credores que identificam sinais preocupantes na conduta do administrador, como falta de transparência nos relatórios, demora injustificada em medidas urgentes ou conflitos de interesse não declarados, têm legitimidade para levar essas preocupações ao juízo formalmente e com documentação adequada.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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