Soft Skills desde a infância: O que o teatro e o coral da Fundação Gentil ensinam que o mercado paga caro para encontrar?

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Eloizo Gomes Afonso Duraes

Comunicação eficaz. Inteligência emocional. Capacidade de trabalhar sob pressão em equipe. Resiliência diante do fracasso. Confiança para se apresentar publicamente. Essas são as competências que recrutadores de empresas de todos os tamanhos identificam como as mais difíceis de encontrar em candidatos e as mais determinantes para o sucesso profissional de longo prazo. São também, precisamente, as competências que o teatro e o coral desenvolvem de forma mais eficaz do que qualquer treinamento corporativo. 

Eloizo Gomes Afonso Duraes incorporou essas atividades à Fundação Gentil Afonso Duraes em março de 2004, duas décadas antes de as soft skills se tornarem o tema dominante em discussões sobre empregabilidade no Brasil.

A ciência por trás da arte

A pesquisa sobre desenvolvimento humano e educação acumulou, nas últimas décadas, evidências robustas sobre o impacto de atividades artísticas nas competências socioemocionais de crianças e adolescentes. Participantes de programas de teatro desenvolvem empatia mensurável, maior capacidade de regulação emocional e habilidades de comunicação que se traduzem em vantagens concretas no ambiente profissional e nas relações pessoais. 

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Eloizo Gomes Afonso Duraes

Participantes de coral desenvolvem disciplina, senso de responsabilidade coletiva e a capacidade específica de subordinar o ego individual ao resultado do grupo, uma habilidade que qualquer gestor reconheceria como extraordinariamente valiosa. Eloizio Gomes Afonso Duraes não precisou dessas pesquisas para tomar a decisão de incorporar coral e teatro ao programa da Fundação. Sua intuição sobre o que crianças vulneráveis precisavam para se desenvolver plenamente antecipou o que a ciência formalizaria anos depois.

O que duas décadas de programa cultural produziram

As primeiras crianças que participaram das atividades de coral e teatro da Fundação em 2004 estão hoje no mercado de trabalho. Carregam consigo competências que seus colegas de mesma origem socioeconômica raramente possuem: a confiança de quem já se apresentou diante de uma plateia, a disciplina de quem aprendeu que resultados coletivos exigem comprometimento individual e a empatia de quem aprendeu a ver o mundo através dos olhos de outros.

Essas competências não aparecem no currículo com o nome de teatro ou coral. Aparecem como liderança, comunicação, trabalho em equipe e resiliência. E são exatamente o tipo de diferencial que transforma candidatos medianos em profissionais excepcionais.

Arte como política de equidade

Ao oferecer atividades de teatro e coral para crianças de comunidades vulneráveis, Eloizo Gomes Afonso Duraes fez algo com dimensão política relevante: democratizou o acesso a experiências formativas que, no Brasil, são majoritariamente privilégio de crianças de famílias abastadas que frequentam escolas particulares com programas culturais robustos. Essa democratização é, ao mesmo tempo, um ato de justiça social e um investimento estratégico no potencial humano de crianças que, sem ela, chegariam ao mercado de trabalho em desvantagem ainda maior.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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