Antes de O Irlandês, qual foi a última vez em que você viu Al Pacino, Robert de Niro e Joe Pesci contracenando em um filme dirigido por Martin Scorsese? A resposta, infelizmente (e por incrível que pareça), é nunca.

A cruel verdade é uma faca de dois gumes: podemos tanto lamentar a inexistência da reunião em tempos remotos quanto celebrar este encontro, que dificilmente se repetirá. E, ao dizer “dificilmente”, estou sendo otimista.

Leia o review de O Irlandês do IGN Brasil

Grandioso antes mesmo de estrear, O Irlandês reúne pela primeira vez todos os remanescentes da “velha guarda” dos filmes de máfia. Scorsese, Pesci e De Niro compartilham da mesma idade (76 anos), enquanto Pacino, um pouco mais velho, está com 79. Todas as lendas vivas se conhecem e são amigos há décadas. Só faltou mesmo convocar Jack Nicholson, recluso há anos em Hollywood.

Somente De Niro e Scorsese, juntos, já fizeram filmes como Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980), O Rei da Comédia (1982), Os Bons Companheiros (1990) e Casino (1995) — os dois últimos, aliás, tiveram presença de Pesci, um dos atores coadjuvantes mais notórios de todos os tempos, comumente destacando-se até mais do que o protagonista.

Joe Pesci, Ray Liotta e Robert De Niro em Os Bons Companheiros (1990).

A parceria Scorsese & Di Caprio até rendeu bons frutos, com destaque para os ótimos O Lobo de Wall Street (2013) e Os Infiltrados (2006), que inclusive proporcionou o primeiro Oscar ao diretor. Demorou, mas tardou. Em um mundo justo, a coroação teria vindo antes, quando o baixinho das sobrancelhas grossas criou as melhores obras.

De Niro e Pacino foram pai e filho (Vito e Michael Corleone) na trilogia O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (amigo de Scorsese, é bom lembrar), e inimigos em Fogo Contra Fogo, clássico policial de 1995. O que verdadeiramente estranha é Pacino jamais ter trabalhado com Scorsese antes.

De Niro e Al Pacino em O Poderoso Chefão 2: Corleone pai e Corleone filho, respectivamente. Com esse hang loose, forte candidata a melhor foto da história.

Isso para não citar Harvey Keitel, que está em O Irlandês em papel menor, mas importante — quem lembra do ator com seus longos cabelos em Taxi Driver? Aqui, estão todos em casa, em um barulhento e delicioso almoço de domingo.

O Irlandês é uma retomada aos bons tempos. Quatro senhores que decidiram se reunir para relembrar da camaradagem entre bons vinhos e boas risadas. Foi De Niro quem convenceu Pesci a sair da aposentadoria para fazer O Irlandês. “Qual é, jamais vamos fazer isto de novo”, argumentou (via The Guardian).

Nos bastidores de O Irlandês

“Foi difícil deixar o filme pronto, arrecadar o dinheiro para fazê-lo e tudo o mais. Não nos vemos fazendo um filme como esse”. De Niro cantou a bola: “Espero que façamos outros filmes juntos, mas como este? Provavelmente não. É o fim da linha.”

A não ser que Marty surja com “uma proposta irrecusável”, este é mesmo o fim da linha para os “bons companheiros”. Nos resta torcer pelo melhor e aproveitar o que temos — o que, cá entre nós, já é bastante para se deleitar.

O melancólico novo projeto de Scorsese viu a Netflix como meio de distribuição e por lá estreia no dia 27 de novembro, mas alguns cinemas selecionados pelo mundo (incluindo o Brasil) exibirão o longa por duas semanas — a estratégia é uma tentativa de preencher os requisitos básicos para poder concorrer ao Oscar.

Para mais sobre a mais nova obra-prima de Martin Scorsese, Al Pacino, Robert De Niro, Joe Pesci e companhia, confira o review do IGN Brasil.

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