Como?ão em azul e branco: torcedores do CSA se despedem do CT do Mutange

“Eu me criei próximo ao Mutange e a situação em que se encontra o bairro é muito triste. Eu não poderia deixar de vir ao último trabalho aberto ao público no CT, é muito importante”, falou Flávio Bastos, de 45 anos. 

Flávio tem um apego grande ao CSA, mas também por influência do filho de 13 anos, que atende pelo mesmo nome. “Apesar de eu ser azulino desde pequeno, eu não me inteirava com o clube diariamente, e depois que ele nasceu e começou a tomar gosto pelo CSA, cresceu em mim esse desejo de estar com ele e o Azulão”. Flavinho, em poucas palavras, disse: “desde sempre acompanhei o CSA e não vou deixar”.

Pai e filhos acompanharam o treino de despedida do CT Gustavo Paiva

Entre os moradores está Vanessa Santos, de 39 anos, que nem sequer torce para o CSA, mas esteve no local para prestar solidariedade ao “morador” mais simbólico do bairro. “Não sou azulina, mas boa parte da comunidade é, então vemos o amor deles pelo CSA. O sentimento de poder acompanhar os treinamento há anos, de ter o contato direto com o clube e hoje perder tudo. Quando pensamos na problemática, pensamos que é apenas a retirada dos moradores, mas não é, tem a história por trás disso. Estão brincado com vidas”. 

A residência de Vanessa está localizada na denominada “mina 17”, entre o Mutange e Pinheiro, um dos lugares mais afetados pela extração de sal-gema feita pela Braskem. Segundo ela, a casa está avaliada em 90 mil e não tem nenhum direcionamento ou resposta da mineradora sobre a indenização.

Movemento SOS Pinheiro esteve presente em dia difícil na história do CSA

“Vi de tudo aqui no Mutange. Vivi muitas coisas boas e outras ruins. Durante um período não tivemos nada, apenas o Campeonato Alagoano a disputar, e agora com o clube no auge, acontece algo desta forma. A gente fica triste, machucado”, pontuou.

CSA recebe torcedores na despedida do CT do Mutange

Matematicamente rebaixado à Série B de 2020, o CSA se despede do Brasileirão contra o São Paulo, neste domingo (7), às 16h, no Estádio Rei Pelé. Largar a rotina dos grandes clubes do Brasil também vai deixar saudade no “cão de guarda azulino”.

“Para quem viveu uma segunda divisão do Alagoano, estar na Série A é algo absurdo. Fiquei nos melhores hotéis, conheci muita gente importante, estruturas de dar inveja a qualquer clube do mundo. No jogo contra o Flamengo em Brasília, meu irmão, o estafe do clube é impressionante. Foi uma troca muito boa de experiência e trouxe muitas coisas legais para o CSA”, lembrou Dino.

Segurança do CSA, Dino Santos lembra dos momentos difíceis vivido no Mutange

“Estivemos no Nelsão e vimos que precisaríamos fazer muita coisa na estrutura, praticamente levantar um novo espaço. Não temos tempo para isso. Então ficou melhor para gente ri para outro local, que pode ser a AABB, em Ipioca, ou até iniciar os trabalhos aqui mesmo no Mutange”, declarou Fabiano Melo, diretor de futebol azulino.

Torcida do CSA compareceu ao treino aberto para dar adeus ao CT do Mutange

Ao término do rachão, após a saudação dos jogadores à torcida, desceu das arquibancadas a tradicional charanga. Entre uma música e outra, a “marchinha” que dizia “Está chegando a hora” dava o choque de realidade ao azulino, abrindo o olho do cidadão e escancarando a verdade: o tempo do Mutange chegou ao fim, hora de ir embora.

Charanga do CSA dita o ritmo saudoso na despedida do Mutange

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