Raí será o executivo de futebol do São Paulo em 2020. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, desistiu de fazer uma troca no comando do departamento e decidiu renovar o contrato do dirigente por mais uma temporada. O vínculo atual terminaria em dezembro. A troca no comando do futebol era considerada iminente nos bastidores do São Paulo antes da partida contra o Internacional. Pressionado por grupos políticos da base aliada a fazer uma reestruturação e a tirar Raí, Leco havia definido que o diretor geral do clube Carlos Belmonte Sobrinho seria o nome para o cargo, caso a saída do ídolo fosse confirmada.

A classificação do São Paulo para a fase de grupos da Libertadores de 2020, o apoio dos jogadores e de Lugano a Raí e pressões internas de diferentes alas do clube (veja mais abaixo) fizeram o presidente repensar a decisão.

Em meio à indefinição sobre o futuro de Raí, foi cogitada a possibilidade de uma composição na gestão do departamento de futebol. Esse formato acomodaria o ídolo e Belmonte em diferentes funções, mas essa ideia não avançou.

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Na possível troca de Raí por Belmonte houve pressões de dois lados opostos:

  • a mudança daria sinal verde para uma reestruturação profunda no departamento de futebol pedida desde o primeiro semestre por grupos políticos, com reavaliações de diferentes setores do CT da Barra Funda, como departamento médico, fisiologia e fisioterapia, entre outros;
  • com essa troca, Leco agradaria sua base aliada que pedia a saída de Raí a um ano da eleição de 2020 o presidente não pode concorrer à reeleição;
  • os resultados ruins do futebol após altos investimentos (o clube registrou déficit de janeiro a agosto de R$ 76,5 milhões) e decisões questionadas de Raí, como a demissão de Diego Aguirre a cinco rodadas do fim do Brasileirão de 2018, e a escolha por André Jardine para comandar o time na eliminação da Libertadores de 2019 pesavam a favor da troca.
  • a unidade no vestiário e o comportamento dos jogadores pró-Fernando Diniz e Raí geraram uma conexão entre elenco, comissão técnica e diretoria após a classificação na Libertadores, o que abriu a brecha para questionamentos sobre a mudança no comando;
  • a troca de um profissional para um conselheiro não remunerado representaria um retrocesso ao estatuto do clube no departamento mais importante. Embora tenha liderado com sucesso o projeto de basquete do clube e não fosse receber salário, Belmonte não seria remunerado, o que driblaria esse ponto do estatuto, mas estaria substituindo um executivo sem ter “notório conhecimento da área”, como prega o documento do clube;
  • como funcionaria a divisão de tarefas entre dois conselheiros não remunerados no departamento de futebol: Belmonte e Fernando Bracalle Ambrogi, o Chapecó? O diretor-adjunto é atualmente voluntário e, hierarquicamente, está abaixo de Raí e do gerente executivo Alexandre Pássaro, responsável pelas negociações. Belmonte e Chapecó são aliados políticos de Leco e articuladores da situação no Conselho Deliberativo. Houve questionamentos sobre qual seria a função de cada um deles. Um possível choque entre os conselheiros ou a perda de força de um deles após a troca de Raí no comando representaria uma saia-justa para o presidente;

Em meio à reviravolta, os cargos de Alexandre Pássaro e Chapecó estão mantidos no departamento de futebol.

Diante da reviravolta, Leco terá de conviver com a pressão política de não ter feito a reestruturação em diferentes setores do CT da Barra Funda cobrada por conselheiros da situação desde o primeiro semestre. Belmonte é aliado de Leco e teria essa missão.

Com a permanência de Raí e a definição de que Fernando Diniz será o técnico em 2020, o São Paulo agora segue o planejamento para a próxima temporada.

O clube precisa vender jogadores para fechar as contas no azul. Antony é o principal candidato e tem boas chances de ser negociado – ele desperta interesse de clubes da Alemanha. O Tricolor precisa negociar jogadores para, por exemplo, contratar Tiago Volpi, uma das prioridades para 2020.

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