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quarta-feira, novembro 25, 2020

Mirella passa noite com Dynho e web especula término fake

Com relacionamento marcado por idas e vindas, Mirella e Dynho estão juntos outra vez (Imagem: Reprodução / Instagram) Eliminada de A Fazenda 2020, Mirella já...

O TikTok se intromete até na política e já ameaça rivais como o Instagram

Até pouco tempo atrás, o aplicativo chinês TikTok poderia facilmente ser comparado a um adolescente petulante, cheio de planos para conquistar o planeta, mas que carregava nos ombros o peso do mundo e da inexperiência. Quando surgiu, há pouco mais de três anos, foi, de fato, notado como um jovem ousado e criativo, embora inofensivo. No início, era apenas isso: uma plataforma juvenil que permitia aos usuários exibir coreografias aleatórias. Mas o adolescente cresceu, ganhou músculos e adquiriu maturidade. No primeiro trimestre de 2020, era listado como o programinha mais baixado do planeta, com impressionantes 315 milhões de downloads. Neste exato momento, é a quarta rede social mais popular — tem 1,5 bilhão de usuários — e a primeira da China a desfrutar alcance global. Seus feitos são extraordinários. Os cinquenta principais criadores de conteúdo do TikTok contam com mais seguidores do que as populações de México, Canadá, Reino Unido e Austrália juntas.

A expansão do TikTok está associada a uma sutil mudança de trajetória. Durante um bom período, suas ferramentas virais poderosas davam espaço apenas a coreografias com o hit do momento ou dublagens de filmes e memes que fazem a cabeça da garotada. Mas, com o tempo, ele provou ser mais do que apenas uma rede social para danças e palhaçadas. Agora também é possível acompanhar vídeos sobre saúde, mercado de ações, viagens e até política, sempre respeitando o limite de sessenta segundos de duração. “O TikTok vem redirecionando o seu público, que já não é formado só de crianças e adolescentes”, diz o influenciador digital Bruno Carvente. Em 20 de junho, o aplicativo deu uma demonstração definitiva de que transcendeu o universo pré-adolescente. Naquele dia, Donald Trump realizou, no BOK Center de Tulsa, seu primeiro evento da campanha para a reeleição. A equipe de Trump esperava a presença de 100 000 apoiadores, e ele próprio havia anunciado no Twitter que “quase 1 milhão de pessoas” tinham solicitado ingressos para o evento gratuito. O comício, porém, foi um fiasco de público. Uma multidão de usuários do TikTok divulgou vídeos que explicavam como reservar entradas para a ocasião, mas a ideia era não comparecer justamente para zombar do presidente. Deu certo. Como diz a turma jovem, foi uma espetacular “trolagem”.

Não é de hoje que o aplicativo chinês incomoda americanos ilustres. Há cerca de um ano, preocupado com o barulho que o TikTok fazia, o Facebook lançou uma cópia do recurso, mas que seria malsucedida — o que não deixa de ser curioso, dado o fato de que os chineses, e não os americanos, são famosos por imitar tudo o que faz sucesso no exterior. Chamada de Lasso, a nova e insossa rede social do Facebook se tornou um dos grandes equívocos da trajetória vitoriosa de Mark Zuckerberg. Irritado com o fracasso, ele partiu para o ataque. Em um discurso de quarenta minutos, disse que os produtos chineses representam uma grande ameaça ao mundo. “Enquanto nossos serviços, como o WhatsApp, são usados ​​por manifestantes e ativistas em todos os lugares devido a fortes proteções de criptografia e privacidade, no TikTok as menções a esses protestos são censuradas, mesmo nos Estados Unidos”, afirmou Zuckerberg. “Essa é a internet que queremos?”

PEGADINHA - Fiasco de público: usuários da rede social organizaram boicote a comício de TrumpNicholas Kamm/AFP

No mais recente movimento para enfrentar o ímpeto dos chineses, Zuckerberg anunciou a função Reels para o Instagram, que pertence ao grupo Facebook. O Reels adiciona uma nova seção aos perfis, reunindo vídeos curtos de até quinze segundos com efeitos visuais e a possibilidade de incluir músicas. Para os usuários do Instagram que ainda não aderiram ao TikTok, o apelo se dá por uma maior distribuição e alcance. Entre as principais queixas de usuários do onipresente aplicativo americano está o fato de restringir o número de pessoas impactadas pelas fotos publicadas no feed e nos stories. Uma simples comparação dimensiona o problema: uma pessoa com 10 000 seguidores no Instagram dificilmente terá mais de 300 curtidas em uma foto. No TikTok, um perfil com trinta seguidores pode ter um post visto por mais de 3 000 indivíduos. “Ao copiar o TikTok, o Instagram tenta se tornar uma super-rede social, que já aglomera os stories, que vieram do Snapchat, e os filtros que antes existiam espalhados por diversos apps”, explica Inaiara Florêncio, diretora de plataformas e redes sociais da agência Avellar. “A dificuldade será manter os mais jovens lá.”

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Criado em 2017 pelo conglomerado ByteDance, o TikTok é a primeira rede social chinesa a adquirir status comparável ao de outros gigantes do Vale do Silício. Com o app, o conglomerado chinês supera em valor de mercado a cifra de 140 bilhões de dólares, o que o instala entre as empresas de tecnologia mais bem-sucedidas do planeta. A tacada mais recente foi a contratação de Kevin Mayer, ex-executivo da Disney+, para atuar como CEO. A iniciativa surpreendeu o universo corporativo dos Estados Unidos, já que Mayer era cotado para suceder a Robert Iger, o prestigioso presidente do grupo Disney. Como de praxe no mundo das redes sociais, o TikTok agora enfrenta questionamentos sobre privacidade. No ano passado, precisou responder publicamente se estava escondendo vídeos dos protestos em Hong Kong para não se indispor com o governo chinês. Executivos da empresa disseram que não, mas pouca gente acreditou. Outra polêmica foi a acusação de que orientou seus moderadores a censurar vídeos de pessoas consideradas feias, que mostrassem casas “pobres” e postagens de usuários com algum tipo de deficiência. Nada foi esclarecido sobre esses absurdos.

<span class="hidden">–</span>Arte/VEJA

Mas o que explica, afinal, o sucesso estrondoso do TikTok? Em primeiro lugar, embora tenha alargado seu público nos últimos anos, ele virou a rede social preferida dos jovens — faixa etária que mais navega na internet. De acordo com os mais recentes dados disponíveis, dois terços de sua base global de usuários têm menos de 30 anos. Outra razão que justifica a fama recém-conquistada são os algoritmos extremamente precisos, mais até, segundo especialistas, do que a inteligência artificial de redes como Facebook, Instagram e YouTube. Os algoritmos do TikTok são capazes de prever e veicular os vídeos com maior potencial para viralizar, o que é tudo de que uma rede social precisa. A partir daí, eles são bombardeados para a maior quantidade possível de usuários. Do ponto de vista empresarial, o TikTok é uma empresa em permanente evolução. Uma das ideias em gestação é o lançamento de uma plataforma de ensino. Segundo especulações do mercado, o objetivo seria contratar produtores de conteúdo e personalidades da TV, além de promover parcerias com instituições conhecidas de diversas partes do mundo. Se o projeto vingar, representará não apenas uma reviravolta nos modelos tradicionais de ensino, mas também um novo canal de receitas para a empresa. O interessante é que isso de certa forma já acontece. A hashtag #Learn TikTok (aprenda no TikTok) teve 7 bilhões de visualizações. Para uma inovação com forte presença entre jovens, uma unidade de negócios voltada para a educação é uma jogada de mestre que nenhuma outra rede social foi capaz de imaginar. Definitivamente, o TikTok já não é mais brincadeira.

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

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